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domingo, janeiro 23, 2022
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    Gripe, aumento de casos preocupa brasileiros

    Com o aumento dos casos da H3N2 causando mortes, aumenta a procura por vacina e tratamento para a doença.

    A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. É de elevada transmissibilidade e distribuição global, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais e pode causar pandemias. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que a ocorrência de casos da influenza varia de leve a grave e pode levar ao óbito. A hospitalização e morte ocorrem principalmente entre os grupos de alto risco. Em todo o mundo, estima-se que estas epidemias anuais resultem em cerca de 3 a 5 milhões de casos de doença grave e de cerca de 290.000 a 650.000 mortes.

    A doença é uma infecção respiratória aguda, causada pelos vírus A, B, C e D. O vírus A está associado a epidemias e pandemias, tem comportamento sazonal e apresenta aumento no número de casos entre as estações climáticas mais frias. Habitualmente em cada ano circula mais de um tipo de influenza concomitantemente (exemplo: influenza A (H1N1) pdm09, influenza A (H3N2) e influenza B). Dependendo da virulência das cepas circulantes, o número de hospitalizações e mortes aumenta substancialmente, não apenas por infecção primária, mas também pelas infecções secundárias por bactérias.

    A infecção pode levar ao agravamento e ao óbito, especialmente nos indivíduos que apresentam fatores ou condições de risco para as complicações da infecção (crianças menores de 5 anos de idade, gestantes, adultos com 60 anos ou mais, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais). A gravidade da doença é maior quando surgem cepas pandêmicas, para as quais a população tem pouca ou nenhuma imunidade.

    A influenza (gripe) apresenta sintomas bem parecidos com os da Covid-19 e a transmissão ocorre da mesma forma. Neste sentido, as ações de imunização são de extrema importância para proteção contra a doença, além das medidas já adotadas para prevenção da Covid-19, e que devem ser mantidas para prevenção de ambas. Para esclarecer algumas dúvidas sobre sintomas e prevenção da doença, convidamos o infectologista pediátrico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Marcio Nehab.

    Como prevenir a gripe (influenza)?

    Marcio: A imunização é a forma mais eficaz de prevenção contra a gripe e suas complicações. A vacina é segura e é considerada uma das medidas mais eficientes para evitar casos graves e óbitos pela doença. Ela é capaz de promover imunidade durante o período de maior circulação do vírus e a detecção de anticorpos protetores se dá entre duas a três semanas após a vacinação e, em média, confere proteção de seis a doze meses, sendo que o pico máximo de anticorpos ocorre após quatro a seis semanas da vacinação. Além do imunizante, é preciso seguir as regras de proteção de qualquer tipo de infecção respiratória, como a da Covid-19, que incluem:

    • Manter a distância de 1,5 metros das outras pessoas;

    • Higienizar as mãos com frequência. Lave com água e sabão ou use álcool gel 70%;

    • Utilização correta das máscaras cobrindo a boca e o nariz;

    • Adotar hábitos saudáveis, alimentar-se bem e manter-se hidratado;

    • Não compartilhar utensílios de uso pessoal, como toalhas, copos, talheres e travesseiros;

    • Evitar frequentar locais fechados ou com muitas pessoas.

    Quais os principais sintomas da gripe (influenza)?

    Marcio: Febre; dor de garganta; tosse; dor no corpo; dor de cabeça, calafrios; secreção nasal excessiva e prostração. No adulto, o quadro clínico em pessoas saudáveis pode variar de intensidade. Nas crianças, a temperatura pode atingir níveis mais altos, sendo comum o achado de aumento dos linfonodos cervicais e podem fazer parte os quadros de bronquiolite ou bronquite, além de sintomas gastrointestinais.

    Qual o tratamento da influenza? Como saber se o quadro é grave e quando devo procurar um serviço de emergência?

    Marcio: O tratamento da gripe é feito, principalmente, com o objetivo de aliviar os sintomas e ajudar o corpo a se recuperar mais rápido. Uma vez com gripe, deve-se procurar assistência médica para avaliação clínica e tratamento adequado, além da ingestão de líquido, o suficiente para evitar a desidratação, descansar e evitar contato com outras pessoas, por conta da transmissão. É preciso ficar atento aos sinais de gravidade, como:

    • Falta de ar e dificuldade para respirar;

    • Dor ou pressão no peito ou estômago;

    • Sinais de desidratação, como tonturas ao ficar de pé ou não urinar;

    • Confusão mental.

    Nas crianças, os sinais de alerta são:

    • Respiração rápida ou dificuldade para respirar;

    • Pele azulada (cianose) ou acinzentada;

    • Não tem lágrimas ao chorar (em bebês);

    • Vômito acentuado ou persistente;

    • A criança não acorda ou não apresenta sinais de interação (fica apática);

    • Irritabilidade;

    • Febre com erupção cutânea e tosse persistente.

    A vacina da gripe causa gripe?

    Marcio: A vacina da gripe usa vírus inativado (morto) em sua composição, portanto, NÃO é possível que provoque a doença. É importante destacar que a função da vacina é prevenir. Sendo assim, se a pessoa que foi vacinada já estiver infectada, vai desenvolver a doença. Por essa razão é tão importante se vacinar antes do início da temporada da gripe. Os eventos adversos mais comuns após essa vacinação são: dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação. Febre baixa, dor de cabeça e muscular também podem acontecer.

    A mãe que estiver com a influenza pode continuar amamentando o seu bebê?

    Marcio: As mães podem continuar amamentando. Mulheres que estão grávidas ou que amamentam podem tomar a vacina normalmente, independentemente da idade gestacional. No entanto, a aplicação do imunizante só deve ser feita após a autorização do obstetra.

    Os bebês que nascem de mães vacinadas durante a gestação herdam anticorpos que permanecem por alguns meses após o nascimento. Mas, se a mãe não se vacinou na gravidez, ainda pode transferir seus agentes protetores pelo leite materno após se vacinar. Lembramos que a vacina também está disponível na campanha para mulheres no puerpério (até 45 dias após o parto). As demais pessoas que mantêm contato frequente com o bebê — mães após o puerpério, pais, irmãos, avós e babás, por exemplo — também devem estar em dia com a vacinação contra a gripe e outras doenças infectocontagiosas, para reduzir os riscos de transmissão ao recém-nascido.

    Quanto tempo dura o período de contágio da doença?

    O período de incubação do vírus é de três a cinco dias, quando começa a manifestação dos sintomas. Porém, também é possível que uma pessoa tenha a doença de uma forma assintomática, sem apresentar nenhuma reação. Durante o período de incubação ou em casos de infecções assintomáticas, o paciente também pode transmitir a doença. O período de transmissão do vírus em crianças é de até 14 dias, enquanto nos adultos é de até sete dias. A doença pode começar a ser transmitida até um dia antes do início do surgimento dos sintomas. O período de maior risco de contágio é quando há sintomas, sobretudo febre.

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