“Devolução”: DPU exige dados e fim de ‘devolução de pessoas’ em Florianópolis por violação de direitos
Em Foco
18/11/2025 - 12:34:00 | 4 minutos de leitura

Órgão deu prazo de 10 dias para que prefeitura encaminhe dados sobre política municipal que foi duramente criticada nas redes sociais A política de ‘devolução de pessoas’, divulgada pelo prefeito Topázio Neto (PSD) nas redes sociais e duramente criticada na internet virou alvo de questionamentos por parte da DPU (Defensoria Pública da União). O órgão encaminhou uma recomendação à administração municipal para que pare de realizar a triagem de passageiros no Terminal Rodoviário Rita Maria, afirmando que a medida é “inconstitucional, ilegal e discriminatória”. O ofício foi encaminhado pelo órgão na quinta-feira (13), afirmando que o posto avançado da Secretaria de Assistência Social, instalado no local, “viola direitos fundamentais e é um controle migratório ilegal dentro do território nacional”. Na recomendação, a instituição destaca que a Constituição Federal garante a qualquer pessoa — brasileira ou migrante — o direito de circular no território nacional e que tratados internacionais, dos quais o Brasil é signatário, também garantem a liberdade de circulação. Segundo informado pela Prefeitura de Florianópolis, a Prefeitura de Florianópolis estima ter encaminhado entre 550 e 600 pessoas a seus municípios de origem, através da atuação da Semas (Secretaria de Assistência Social) até novembro de 2025. A Defensoria Pública sustenta ainda que a prática é inconstitucional, ilegal e discriminatória, ressaltando que a “competência para controle migratório é exclusiva da União, não podendo os municípios criarem filtros de entrada e saída e restringir o acesso de pessoas com base em condição social, origem ou situação de rua”. A prefeitura informou que entre 550 e 600 pessoas já foram devolvidas para municípios de origem. A prática para “devolução de pessoas” é considerada, segundo a instituição, uma medida de “ameaça velada ou pressão” que pode se encaixar no artigo 146 do Código Penal, como crime de constrangimento ilegal. Segundo a defensora regional de direitos humanos em Santa Catarina, Mariana Döering Zamprogna, o município só deve custear passagens quando a pessoa solicitar espontaneamente e expressar livremente vontade de voltar ao município de origem. A DPU sustenta que “qualquer atendimento a migrantes deve seguir critérios objetivos, sem distinção por raça, nacionalidade, classe, gênero ou qualquer outra condição, e que a prefeitura garanta acolhimento e serviços socioassistenciais à população vulnerável”. O órgão deu o prazo de dez dias para que a prefeitura informe: compartilhe dados sobre : A lista das pessoas enviadas para outras cidades; Origem e destino de cada uma; Datas de chegada e de partida; Valor gasto com as passagens e origem da verba utilizada. No início de novembro, o prefeito da Capital catarinense, Topázio Neto (PSD) compartilhou um vídeo, nas redes sociais, informando que a prefeitura passou a “oferecer passagem de volta” a quem chega à capital “sem rumo, sem emprego e sem lugar para morar”. Na gravação, ele descreve o caso de um homem que teria sido enviado por outro município até Florianópolis, mesmo sem nenhum vínculo com a capital catarinense. Segundo o prefeito, a Assistência Social foi encarregada de identificar um parente próximo a ele para dar encaminhamento na situação. Três dias após a publicação, o vídeo viralizou e foi alvo de críticas nas redes sociais. No mesmo sentido, o governador de Santa Catarina afirmou ser favorável à iniciativa e, em tom jocoso, compartilhou fotos dos “primeiros vistos catarinenses”. Em contrapartida, algumas pessoas concordaram com a política de “devolução de pessoas” tomada pela Prefeitura de Florianópolis. Em nota, a administração municipal afirmou que o posto da Assistência Social na rodoviária de Florianópolis serve para “orientar e apoiar pessoas que chegam à cidade”. O objetivo, segundo a prefeitura, “é oferecer apoio a quem precisa e identificar situações em que outros municípios enviam pessoas em situação de rua para Florianópolis de forma irregular”. “Não há abordagem de todos os passageiros, o atendimento é realizado apenas quando a própria pessoa procura o posto em busca de ajuda”, diz a nota. A partir desse contato, de acordo com a prefeitura, são feitos os encaminhamentos necessários para a rede socioassistencial.
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