Anvisa aprova primeiro remédio para Alzheimer em estágio inicial

Em Foco

29/04/2025 - 12:29:00 | 2 minutos de leitura

Anvisa aprova primeiro remédio para Alzheimer em estágio inicial

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na terça-feira (22) o uso do Kisunla, primeiro medicamento disponível no país para o tratamento da Doença de Alzheimer em fase inicial. Indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve, o remédio foi desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly e já é comercializado nos Estados Unidos. O princípio ativo do Kisunla é o donanemabe, um anticorpo monoclonal que atua reduzindo as placas de beta-amiloide — proteína que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer e compromete funções cognitivas. A expectativa é que a medicação consiga desacelerar a progressão dos sintomas, embora sua eficácia seja alvo de divergências entre especialistas. A formulação será oferecida em frascos de 20 mL com 350 mg do princípio ativo. O tratamento prevê três aplicações mensais de 700 mg, seguidas por doses mensais de 1.400 mg durante até 18 meses ou até a remoção das placas detectadas por exames. A Anvisa ressalta que o uso do Kisunla apresenta riscos importantes. Ele é contraindicado para pessoas com o gene ApoE E4, usuários de anticoagulantes e pacientes com Angiopatia Amiloide Cerebral. Os efeitos adversos mais comuns incluem febre, cefaleia e sintomas semelhantes aos da gripe. A agência manterá o monitoramento da segurança do remédio após sua entrada no mercado brasileiro. A aprovação se baseou em um estudo internacional conduzido em 2023 com 1.736 voluntários com Alzheimer em estágio inicial. Os dados apontaram uma progressão mais lenta da doença nos pacientes que usaram o donanemabe em comparação com o grupo placebo, durante 72 semanas de acompanhamento. Ainda sem preço definido no Brasil, o Kisunla custa entre US$ 12.522 e US$ 32.000 por ano nos Estados Unidos — o equivalente à cerca de R$ 183 mil, considerando a cotação atual. O Alzheimer é a forma mais comum de demência e afeta, principalmente, pessoas com mais de 65 anos. A doença compromete progressivamente a memória, a linguagem e a autonomia do paciente. Não há cura, e a expectativa de vida após o diagnóstico varia de 8 a 10 anos.