Apoio de Lula ao fim do 6 a 1 cria embaraço com indústria e comércio
Em Foco
05/05/2025 - 12:17:00 | 2 minutos de leitura

O apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao fim da escala 6×1 tem o potencial alto de criar um embaraço para o governo na relação com o setor produtivo. Empresários de diversos segmentos já apresentam resistência ao presidente da República e esse tema é mais um dos que devem dificultar a relação. Em pronunciamento alusivo ao Dia do Trabalhador, o presidente Lula declarou que o governo vai discutir a proposta de emenda à Constituição (PEC) de iniciativa da deputada Erika Hilton (PSol-SP) que pretende reduzir a jornada de trabalho. “Nós vamos aprofundar o debate sobre a redução da jornada de trabalho vigente no país, em que o trabalhador e a trabalhadora passam seis dias no serviço e têm apenas um dia de descanso. A chamada jornada 6 por 1. Está na hora do Brasil dar esse passo, ouvindo todos os setores da sociedade, para permitir um equilíbrio entre a vida profissional e o bem-estar de trabalhadores e trabalhadoras”, disse o petista. Indústria e comércio têm reagido de maneira firme contra mudanças na atual jornada de trabalho, apesar de não terem se posicionado especificamente a respeito da declaração do presidente da República. Uma das possibilidades é que o assunto seja discutido no âmbito do chamado Conselhão (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável), composto por empresários, sindicalistas, pesquisadores, artistas e outros representantes da sociedade civil. A redação original do texto prevê mudar a jornada de trabalho para quatro dias por semana no Brasil (carga horária semanal de 36 horas), mas é admitida a possibilidade de alterar para cinco dias de trabalho e dois de descanso para melhorar a aceitação da proposta entre as diferentes bancadas da Câmara. Em abril, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) divulgou estudo que aponta que a redução da jornada de trabalho pode causar perda de até 18 milhões de empregos e impacto de até 16% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com uma queda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos.
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