Aquecimento dos oceanos já derruba populações de peixe no mundo, mostra estudo
Em Foco
26/02/2026 - 12:24:00 | 2 minutos de leitura
Pesquisa com 33 mil populações marinhas no hemisfério norte mostra recuo de 7,2% na biomassa a cada 0,1°C de aquecimento por década no fundo do mar O aquecimento persistente dos oceanos está provocando uma redução acelerada da vida marinha, sobretudo de peixes, segundo estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution. Analisando 33 mil populações no hemisfério norte entre 1993 e 2021, os pesquisadores concluíram que a biomassa de peixes cai, em média, 7,2% para cada 0,1°C de aumento de temperatura por década no fundo do mar. O trabalho isolou o impacto do aquecimento crônico de oscilações de curto prazo, como ondas de calor marinhas. Em alguns casos, essas ondas geram “booms” temporários em regiões frias, onde espécies conseguem se beneficiar da elevação momentânea da temperatura, enquanto o mesmo evento agrava a situação em áreas já quentes. Esses ganhos pontuais, porém, mascaram uma tendência de perda generalizada de biomassa. Especialistas ouvidos pelos autores destacam que o quadro se soma a outros fatores de pressão sobre os estoques pesqueiros, como a sobrepesca. Relatórios da FAO já indicam alta na proporção de estoques sobreexplorados, e o novo estudo sugere que o aquecimento dos mares e a perda de oxigênio estão agravando uma crise pré-existente, tornando a gestão pesqueira ainda mais complexa. Para cientistas marinhos, os resultados reforçam o alerta de que “cada fração de grau” na temperatura global tem impacto direto e mensurável nos ecossistemas. À medida que o planeta se aproxima de ultrapassar o limite de 1,5°C estabelecido no Acordo de Paris, a expectativa é de que a pressão sobre as populações de peixes se intensifique, com efeitos em cascata sobre a pesca comercial, a segurança alimentar e a biodiversidade. Os autores do estudo defendem que políticas de clima e manejo de recursos pesqueiros considerem não apenas a frequência de ondas de calor marinhas, mas principalmente o ritmo de aquecimento de fundo do oceano. Segundo eles, se a taxa de aquecimento continuar a acelerar, a perda de biomassa será tão ampla que nenhum plano de manejo tradicional conseguirá compensar o dano sobre as populações de peixes.
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