Ataque hacker a bancos: funcionário recebeu R$ 15 mil para entregar senha e executar comandos

Em Foco

05/07/2025 - 14:29:00 | 3 minutos de leitura

Ataque hacker a bancos: funcionário recebeu R$ 15 mil para entregar senha e executar comandos

João Nazareno Roque, de 48 anos, preso na quinta-feira por suspeita de facilitar o ataque hacker que desviou milhões de reais de pelo menos seis instituições financeiras, é operador de TI (tecnologia da informação) da C&M Software – prestadora de serviços de tecnologia que funciona como uma ponte que liga alguns bancos em atividade no Brasil ao sistema de pagamento via Pix do Banco Central. O funcionário é acusado de entregar login e senha, além de executar comandos no computador da C&M que permitiram o desvio de R$ 541 milhões em transferências fraudulentas da empresa BMP Instituição de Pagamentos, segundo a Polícia Civil de São Paulo. João foi detido por agentes da 2ª Delegacia da DCCIBER (Divisão de Crimes Cibernéticos) no bairro City Jaraguá, zona norte de São Paulo. Em depoimento, ele confessou participação no crime. Aos agentes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), o operador de TI afirmou que trabalhava na C&M Software há aproximadamente três anos e que, em março, foi abordado por um homem ao sair de um bar. O rapaz teria dito que sabia que João trabalhava com sistemas de pagamentos e que queria analisar o sistema da empresa. O funcionário passou seu número de telefone e, uma semana depois, recebeu uma ligação. No telefonema, foi proposto que João entregasse login e senha em troca de R$15 mil. Após o pagamento, feito por um motoboy, o funcionário repassou suas credenciais. 15 dias depois, ele recebeu uma nova ligação e a pessoa do outro lado da linha pediu que ele criasse uma conta na plataforma Notion. Na plataforma de gerenciamento de projetos, o funcionário passou a receber os comandos que deveria executar no computador da C&M. João afirmou aos policiais que tem inserido os comandos no sistema desde maio e que, para isso, recebeu mais R$ 10 mil. Esse valor foi pago em notas de R$ 100 por um motoboy. Ainda de acordo com o depoimento do operador de TI, no dia do segundo pagamento o aparelho celular dele foi levado e o chip trocado. A partir disso, seus celulares eram trocados a cada 15 dias. A última troca aconteceu na quarta-feira (2). Ele afirmou ainda que não conseguiria identificar as pessoas que o cooptaram, pois depois da primeira abordagem, na saída do bar, não teve contato pessoal com mais ninguém. Segundo João, todas as conversas com os hackers foram realizadas por telefone.