Barroso diz que 'The Economist' adotou "narrativa dos que tentaram o golpe de Estado"
Em Foco
21/04/2025 - 10:33:00 | 2 minutos de leitura

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, respondeu ao editorial da revista britânica The Economist, publicado no dia 16 de abril. Para Barroso, o texto adota o ponto de vista de quem tentou um golpe de Estado no Brasil. “O enfoque dado na matéria corresponde mais à narrativa dos que tentaram o golpe de Estado do que ao fato real de que o Brasil vive uma democracia plena, com Estado de direito, freios e contrapesos e respeito aos direitos fundamentais", afirmou o ministro, em nota oficial. A publicação da Economist foi intitulada "Brazil’s Supreme Court is on trial" (tradução: "A Suprema Corte do Brasil está em julgamento") e no subtítulo destaca "How a superstar judge illuminates an excessive concentration of power" (tradução: "Como um juiz-estrela evidencia uma concentração excessiva de poder"). No texto, a revista critica o papel do STF na política brasileira, afirmando que os ministros têm “poderes extremos” e que o histórico do ministro Alexandre de Moraes representa um risco à democracia. Barroso defendeu Moraes, que é relator das investigações sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, e criticou a ideia de que ele deveria se afastar do caso por causa de suposta animosidade contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Quase todos os ministros do tribunal já foram ofendidos pelo ex-presidente. Se a suposta animosidade em relação a ele pudesse ser um critério de suspeição, bastaria o réu atacar o tribunal para não poder ser julgado. O ministro Alexandre de Moraes cumpre com empenho e coragem o seu papel, com o apoio do tribunal, e não individualmente", escreveu Barroso. O presidente do STF destacou que não há "crise de confiança" e lembrou que o país enfrentou ameaças recentes à democracia, incluindo atentados planejados e até planos de assassinato contra autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio Moraes. "Os responsáveis estão sendo processados criminalmente, com o devido processo legal, como reconhece a matéria. Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições, como ocorreu em vários países do mundo, do leste Europeu à América Latina", destacou. Barroso também negou que tenha dito que o STF "derrotou Bolsonaro", como a The Economist sugere.
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