Brasil mantém neutralidade na crise EUA Venezuela oposição critica Lula
Em Foco
08/09/2025 - 12:31:00 | 3 minutos de leitura

A entrevista exclusiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao SBT Brasil na sexta-feira (6) gerou repercussão tanto na imprensa quanto no meio político. Entre os principais temas, o presidente afirmou que o Brasil não tomará partido no conflito entre Estados Unidos e Venezuela, reforçando que "o Brasil vai ficar sempre ao lado da paz", mesmo diante do envio de caças americanos ao Mar do Caribe. Lula destacou ainda que o país pretende atuar como mediador em crises internacionais e evitar que a região se torne palco de confrontos militares diretos. O vice-líder do governo na Câmara, deputado Alencar Santana (PT-SP), apoiou o posicionamento de Lula e reforçou a importância de diplomacia preventiva. "Qual o sentido dos Estados Unidos (EUA) estarem rondando um país aqui ao lado e dizer que querem pôr ordem? Que poder eles têm sobre isso? A lei do mais forte vigorou por muito tempo, mas resultou em diversas guerras ao longo da história. Ele está dizendo o seguinte: estou preparando pra guerra. Será que os outros países não vão se preparar também? Isso é perigoso. Então, assim, o Brasil reafirma o seu compromisso com a paz", declarou o deputado governista. Em contraponto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, criticou a postura do governo brasileiro e ressaltou que o histórico de apoio do Brasil a Nicolás Maduro, atual presidente da Venezuela e Hugo Chávez, ex-presidente contribuiu para a escalada atual. "Nós estamos pagando hoje um preço pela escalada de um conflito pelo fato de o maior país da América Latina, no caso o Brasil, não ter se posicionado da maneira adequada no momento oportuno, repudiando a agressão feita por Maduro contra as últimas eleições. E é um fato que a Venezuela virou um narcoestado, né? E o Brasil conviver e aceitar isso pacificamente em suas fronteiras realmente causa muita estranheza", afirmou o líder da oposição no Senado. Na quinta-feira (5), os Estados Unidos anunciaram o envio de 10 caças F-35 para Porto Rico, no Caribe, em meio a alegações de que aeronaves venezuelanas voaram perto de um navio norte-americano em águas internacionais, considerada "altamente provocativa". Maduro mobilizou 4,5 milhões de milicianos e reforçou o patrulhamento na fronteira, temendo que a operação seja uma ofensiva disfarçada dos EUA. O presidente Donald Trump acusa Maduro de ligação com a gangue Tren de Aragua, considerada organização terrorista e envolvida em tráfico de drogas. Em recente operação no mar do Caribe, 11 pessoas morreram e um barco venezuelano foi afundado. Caracas nega qualquer ligação com o grupo.
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