Cenipa aponta 19 falhas em relatório final sobre queda do avião da Voepass


Investigação conclui que cultura de omitir panes, falhas no sistema de degelo e falta de ação da Anac culminaram na tragédia que vitimou 62 pessoas em Vinhedo.

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24/07/2026 - 05:06:00 | 2 minutos de leitura

Cenipa aponta 19 falhas em relatório final sobre queda do avião da Voepass


O relatório final do Cenipa sobre a queda do ATR 72 da Voepass apontou que o acidente resultou da combinação de 19 fatores técnicos, operacionais, organizacionais e regulatórios. A investigação destacou a normalização de desvios na empresa — como a falta de registro formal de falhas —, a perda de consciência situacional da tripulação e a fiscalização ineficaz por parte da Anac.


Cultura de Normalização de Desvios:


Prática recorrente na Voepass (e na antiga Passaredo) de não registrar panes no diário de bordo para evitar a paralisação das aeronaves.

    • Comunicação informal entre pilotos e mecânicos para manter aviões em operação sem correção definitiva de problemas técnicos.

  • Falhas Técnicas e Alertas Ignorados:

    • O sistema Airframe De-Icing (responsável por remover gelo da estrutura) apresentava falhas recorrentes nos voos anteriores e não recebia manutenção adequada.

    • Em um dos voos prévios, o sistema de proteção contra estol (Stick Pusher) foi acionado 16 vezes, sem qualquer registro formal no diário de bordo.

    • A reincidência de alarmes gerou complacência na equipe, reduzindo a atenção diante de emergências reais.

  • Erros de Pilotagem e Fatores Humanos:

    • A aeronave enfrentou uma zona de formação severa de gelo sem que a tripulação reconhecesse a gravidade da situação a tempo.

    • Falhas de planejamento, coordenação de cabine, julgamento e tomada de decisão ao manter o nível de voo.

    • Sobrecarga de trabalho na cabine, provocando os fenômenos de cegueira desatencional (inattentional blindness) e surdez desatencional (inattentional deafness), fazendo com que a tripulação ignorasse avisos visuais e sonoros críticos.

  • Manutenção e Gestão de Peças:

    • Utilização de componentes com histórico prévio de defeitos e processos de manutenção realizados sem supervisão apropriada.

  • Falha de Fiscalização da Anac:

    • A Agência Nacional de Aviação Civil já havia identificado fragilidades na manutenção, liberação técnica irregular e riscos operacionais na companhia.

    • Contudo, essas fragilidades não foram incorporadas aos mecanismos de gerenciamento de risco da agência, permitindo que a Voepass continuasse operando mesmo com a deterioração dos padrões de segurança.


Foto: Isaac Fontana/EFE