Cientistas criam IA capaz de prever mortes com 78 porcento de precisão
Em Foco
05/05/2025 - 12:25:00 | 2 minutos de leitura

A tecnologia analisa sequências de eventos da vida para estimar a longevidade humana. Há fatores que somam anos à expectativa, como a prática regular de exercícios, e outros que reduzem, como o tabagismo frequente. Embora tenha sido apresentada na Nature Computational Science como um passo significativo na análise de dados de saúde, ainda há quem tema que a ferramenta possa ser usada por empresas de saúde prejudicando os usuários. A tecnologia, que ainda está em fase de desenvolvimento, não gerou nenhum site de cadastro, embora muitas calculadoras on-line tenham se aproveitado do nome dela para surfar em sua popularidade. Liderada pelo professor Sune Lehmann, a pesquisa superou as limitações dos modelos tradicionais de análise de dados em saúde, aumentando em 11% a precisão em relação às calculadoras anteriores. O sistema trabalha com uma base de dados de mais de seis milhões de pessoas, analisando variáveis como educação, saúde, renda, profissão e endereço. Ter rendimentos mais altos ou ocupar cargos de liderança, por exemplo, tende a estar associado a uma vida mais longa. Cada um desses fatores recebe um código no conjunto de dados dinamarquês — como S52 para antebraço quebrado ou IND4726 para quem trabalha em uma tabacaria — que a equipe traduziu em “palavras” para o algoritmo. Isso tornou os questionários extremamente complexos. Para prever a longevidade de alguém, a equipe utilizou dados de janeiro de 2008 a dezembro de 2015 de um grupo de pessoas entre 35 e 65 anos de idade. O sistema precisava prever quem ainda estaria vivo quatro anos após 2016. Em 2021, foram selecionadas aleatoriamente 100 mil pessoas desse grupo — metade já falecida, metade ainda viva — e o algoritmo acertou o prognóstico em 78% dos casos. O objetivo do programa não é ser uma simples calculadora de morte, como aquelas de sites que capturam dados pessoais. Segundo os autores, também não se trata de criar ferramentas para planos de saúde ou seguros de vida. A proposta é usar os resultados para planejar políticas públicas de saúde e demografia a longo prazo, a partir de amostragens de determinadas populações.
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