Cientistas descobrem objeto no espaço que desafia a física
Em Foco
30/05/2025 - 16:35:00 | 2 minutos de leitura

Uma descoberta feita por cientistas do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR), na Austrália, está desafiando o conhecimento atual da astrofísica. Um objeto cósmico misterioso, batizado de ASKAP J1832-0911, foi flagrado emitindo pulsos de rádio e raios X ao mesmo tempo, algo jamais registrado anteriormente. O fenômeno ocorre por dois minutos a cada 44 minutos, com precisão cronométrica, e levanta dúvidas sobre os modelos físicos atualmente aceitos. O estudo, publicado nesta quarta-feira (28) na prestigiada revista Nature, contou com a participação de mais de 50 pesquisadores de diversos países. A descoberta ocorreu por coincidência, quando dois observatórios, o radiotelescópio ASKAP, na Austrália, e o telescópio de raios X Chandra, da NASA — estavam observando a mesma região do céu simultaneamente. O objeto está localizado a cerca de 15 mil anos-luz da Terra, próximo ao centro da Via Láctea, e foi classificado como um transiente de longo período (LPT), uma classe de fenômenos espaciais detectada apenas recentemente, em 2022. Até então, os LPTs eram conhecidos por emitir apenas sinais de rádio. A emissão simultânea de raios X representa uma mudança significativa na forma como esses objetos são compreendidos. O que torna o ASKAP J1832-0911 tão único é a sincronia perfeita entre os pulsos de baixa (rádio) e alta energia (raios X). A presença de raios X sugere que a fonte do fenômeno é altamente energética, o que descarta hipóteses anteriores que explicavam os LPTs como objetos de baixa atividade. Para os cientistas, isso indica que o objeto pode ser mais massivo, denso ou exótico do que se imaginava. Entre as possíveis explicações, estão uma estrela de nêutrons altamente magnetizada, também conhecida como magnetar, ou uma anã branca em estágio avançado de evolução. No entanto, nenhuma dessas hipóteses consegue explicar totalmente o comportamento regular e duplo do objeto. “A emissão de dois tipos de radiação tão distintos, em total sincronia, exige novos modelos físicos”, apontam os autores do estudo. A descoberta representa uma oportunidade rara para a astrofísica. A repetição exata dos sinais a cada 44 minutos pode estar relacionada à rotação de um objeto altamente denso ou à interação gravitacional em um sistema binário, onde dois corpos orbitam entre si. O padrão estável observado oferece uma base sólida para futuras simulações e estudos em laboratório.
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