Comissão de Segurança analisa gravação de visitas a presos do crime organizado
O foco central é a análise de projetos que permitem a gravação e monitoramento de visitas a presos integrantes de organizações criminosas, inclusive em conversas com advogados no parlatório.
21/03/2026 - 07:20:00 | 2 minutos de leitura

A Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado está com uma pauta decisiva nesta semana de março de 2026. O foco central é a análise de projetos que permitem a gravação e monitoramento de visitas a presos integrantes de organizações criminosas, inclusive em conversas com advogados no parlatório.
A medida faz parte de um esforço legislativo para frear a comunicação entre lideranças detidas e seus subordinados externos, combatendo o chamado "crime organizado de dentro para fora".
Principais Pontos em Discussão
Monitoramento de Advogados: O PL 249/2025 prevê a gravação de encontros entre presos e advogados quando houver suspeita fundamentada de que o profissional está sendo usado como "ponte" para atividades ilícitas.
Projeto Antifacção (PL 5582/25): Aprovado pela Câmara e agora no Senado, permite que juízes autorizem gravações de áudio e vídeo em visitas para presos vinculados a facções, milícias ou grupos paramilitares.
- Regras de Sigilo: Para proteger o exercício legítimo da advocacia, as propostas sugerem um "juiz de garantias" ou de controle, que avaliaria a legalidade da gravação antes de o material ser usado como prova.
Conflitos Judiciais Recentes
O tema é sensível e já gera embates no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ):
Caso Vorcaro (Março/2026): O STF autorizou recentemente que o empresário Daniel Vorcaro se reunisse com advogados sem gravação, apesar de a Polícia Penal Federal apresentar 32 razões técnicas contra a flexibilização, alegando riscos à segurança do sistema federal.
Decisões no Ceará: Em janeiro de 2026, o STJ manteve a legalidade do monitoramento ambiental em presídios de segurança máxima no Ceará, entendendo que o direito ao sigilo não é absoluto quando há indícios de crimes graves.
A reunião deliberativa da comissão está prevista para a próxima terça-feira (24 de março), onde o parecer da relatoria será votado antes de seguir para o plenário.
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