Condomínio vira base do tráfico de grupo que movimentava R$ 450 mil por mês em SC
Em Foco
20/01/2026 - 12:28:00 | 3 minutos de leitura

Organização criminosa usava estrutura residencial para vender drogas e lavar dinheiro O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou quatro integrantes do alto escalão de uma organização criminosa que teria transformado um condomínio residencial em base permanente para o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o esquema funcionava 24 horas por dia e movimentava cerca de R$ 450 mil por mês com o comércio ilegal de entorpecentes, no município de Tubarão. A denúncia já foi recebida pela Justiça, tornando os acusados réus em ação penal pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de capitais. O caso é conduzido pela promotoria especializada no combate a organizações criminosas. De acordo com o MPSC, o grupo operava de forma hierarquizada, com divisão clara de funções. Um dos denunciados exercia a liderança direta do ponto de venda de drogas, controlando a circulação de pessoas, impondo regras internas e até determinando a expulsão de moradores do condomínio. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o líder mantinha uma imagem de pequeno empresário, mas acumulava bens incompatíveis com a renda declarada, incluindo veículos de luxo, imóveis adquiridos por meio de contratos informais e joias, caracterizando, segundo a denúncia, práticas de lavagem de dinheiro. Outro integrante era responsável pelo controle financeiro e logístico do esquema. Ele coordenava a compra de insumos usados na preparação das drogas e a chegada de remessas vindas de outras regiões. Entre 2022 e 2024, movimentou mais de R$ 1 milhão em contas pessoais, sem origem lícita comprovada, enquanto sua empresa formal teve movimentação praticamente inexistente. A operação diária do tráfico ficava sob responsabilidade de um terceiro denunciado, que gerenciava vendedores, supervisionava adolescentes recrutados para o crime e ordenava atos de intimidação e violência para manter o domínio da área. O quarto denunciado é apontado como peça-chave na ocultação do patrimônio ilícito. Segundo o Ministério Público, ele utilizava um estabelecimento comercial como fachada para lavar dinheiro do tráfico, além de registrar em seu nome veículos e imóveis usados pela organização. Também teria cedido propriedades para servirem como depósitos de drogas. As investigações apontam movimentação superior a R$ 6 milhões em contas pessoais e empresariais, valor considerado incompatível com a atividade formal declarada. Além das condenações criminais, o MPSC requer o perdimento dos bens adquiridos com recursos ilícitos, já sequestrados judicialmente, e a fixação de indenização por danos morais coletivos, em razão dos impactos sociais causados pelas atividades do grupo. Para o Ministério Público, o uso de um condomínio como base do tráfico evidencia a sofisticação do esquema e o risco imposto à coletividade ao transformar espaços residenciais em estruturas permanentes do crime organizado.
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