Delegada levou namorado do PCC à posse na sede do governo de SP
Em Foco
17/01/2026 - 14:14:00 | 3 minutos de leitura

Presa na sexta-feira (16) em sua casa na Zona Oeste de São Paulo, a delegada Layla Ayub é suspeita de ter se infiltrado na Polícia Civil para atender aos interesses do crime organizado, em especial da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Um detalhe do caso, porém, chama a atenção: ela levou o namorado, que é ligado ao PCC, para sua cerimônia de posse no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. No evento, que aconteceu no dia 19 de dezembro do ano passado e que contou até mesmo com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Layla estava acompanhada pelo namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como uma das lideranças do PCC no Pará. As investigações que resultaram na prisão de Layla também apontam que ela e Jardel passaram a residir juntos em São Paulo após a posse da delegada, período em que ela frequentava o curso de formação da carreira na Academia da Polícia Civil. Há também indícios de que o casal teria adquirido uma padaria na Zona Leste da capital paulista pouco depois da mudança para lavar dinheiro do crime organizado. Ainda segundo as investigações, no dia 28 de dezembro, já no cargo de delegada, Layla atuou de forma irregular como advogada com o objetivo de obter a soltura de um integrante da facção na cidade de Marabá, no Pará. Na decisão judicial que determinou a prisão temporária dela, o juiz responsável pelo caso apontou para a suspeita de que ela tenha entrado para a Polícia Civil a mando do PCC. – De fato, se comprovado que o PCC arregimentou a investigada para passar em um concurso público de delegada de Polícia, sobretudo no Estado mais populoso e com o maior quadro de policiais do país, pode-se afirmar, sem qualquer dúvida, que, se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos disso – afirmou o juiz, na decisão. O corregedor geral da Polícia Civil, João Batista Palma Beolchi, disse nesta sexta, em coletiva, que a investigação policial será extensa e irá comprovar se ela de fato prestou concurso a mando do PCC. – Realmente se trata de uma investigação. Ela que vai nos mostrar a real amplitude do nível de comprometimento dessa delegada. A investigação procede justamente para investigar essa dúvida. Mas há essa possibilidade – declarou.
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