Drones de ataque de estudantes da UFSC são aprovados em testes do Exército Brasileiro

Tecnologia 100% nacional desenvolvida pela startup Vultis Industries atinge pré-qualificação militar e projeta Santa Catarina no setor de defesa aeroespacial.

Santa Catarina

21/09/2026 - 00:32:00 | 2 minutos de leitura

Drones de ataque de estudantes da UFSC são aprovados em testes do Exército Brasileiro

Quatro modelos de drones de ataque desenvolvidos pela startup catarinense Vultis Industries alcançaram um marco importante para a indústria de defesa nacional: a pré-qualificação oficial emitida pela Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro.


 Criada por estudantes do curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Joinville, a empresa teve o resultado do chamamento público publicado no Diário Oficial da União.


O processo de avaliação licitatória visou identificar e credenciar tecnologias capazes de atender às exigências táticas das Forças Armadas no segmento de Aeronaves Não Tripuladas (ANTs). Para obter o selo de pré-qualificação — etapa essencial que habilita a empresa para futuras compras governamentais e programas estratégicos de desenvolvimento —, as plataformas passaram por uma rigorosa bateria de testes dividida em três fases progressivas:


  1. Segurança e Estabilidade: Validação inicial do comportamento aerodinâmico, sistemas de controle e segurança em voos de curta distância.


  2. Capacidade Operacional: Testes de engajamento e precisão contra alvos específicos utilizando munições inertes.


  3. Efeito Terminal: Demonstrações práticas com munição real para mensuração do poder destrutivo e eficácia de impacto.


Fundada em março de 2024 e sediada no Ágora Tech Park (Joinville), a Vultis Industries nasceu da constatação de que o Brasil mantinha forte dependência externa em tecnologias de drones de ataque — ferramentas que se tornaram indispensáveis em conflitos modernos.


 Como resposta, a startup desenvolveu a família URUBU-X, composta por drones de asa rotativa em configurações de 10 e 15 polegadas, todos construídos sob uma arquitetura modular de aviônica, software e estação de solo integralmente produzidos no país.

Os modelos pré-qualificados cobrem duas doutrinas operacionais distintas:

  • Variantes 10B e 15B (Bombardeio): Projetadas para o lançamento de cargas táticas e reutilização da plataforma.

  • Variantes 10K e 15K (Kamikaze/Efeito Terminal): Vetores em que o próprio drone atua como munição guiada de precisão, destruindo-se no impacto contra o alvo.

Com foco em baixo custo unitário, produção em escala e uso de inteligência artificial voltada para visão computacional, a Vultis também expande sua atuação com a plataforma de Comando e Controle C.A.P. e o projeto J.U.L.I.A. (focado na interceptação de ameaças aéreas leves).


 O avanço da empresa fortalece a Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil e consolida Santa Catarina como um polo emergente de inovação e soberania tecnológica.


Foto: Reprodução/Vultis Industries