Elogiado por Lula, empresário é investigado em esquema que causou prejuízo de R$ 830 mi

Em Foco

29/04/2025 - 12:37:00 | 3 minutos de leitura

Elogiado por Lula, empresário é investigado em esquema que causou prejuízo de R$ 830 mi

Fundador e presidente do Grupo Cedro, o magnata da mineração Lucas Prado Kallas, que integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Presidência da República, o “Conselhão”, é investigado pela Polícia Federal (PF) por participar de um esquema de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, patrimônio histórico de Belo Horizonte. Kallas e outros dois empresários teriam utilizado um Plano de Recuperação Ambiental de Área Degradada (PRAD), firmado junto a órgãos de controle, como fachada para expandir a exploração mineral por mais de dez anos em área tombada.O esquema, segundo a PF, teria contado com o apoio de dois servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM): Leandro Cesar Ferreira de Carvalho, que era gerente regional da ANM em Minas Gerais, e o superintendente substituto de segurança de barragens de mineração Claudinei Oliveira Cruz. Funcionários de carreira, eles foram exonerados dos respectivos cargos em primeiro de abril, sob a suspeita de “peculato, corrupção e/ou advocacia administrativa”. Empresário elogiado pelo presidente é investigado pela Polícia Federal, já foi alvo da corporação em 2008 e está à frente de empresa com investimento bilionário em porto no Rio de Janeiro. A ANM é uma autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia, comandado desde janeiro de 2023 por Alexandre Silveira, mineiro e próximo de Kallas. A irmã e sócia de Kallas na Cedro, Francine Prado Kallas, doou R$ 990 mil para o Partido Social Democrático (PSD) nas eleições de 2022, quando Silveira disputou uma vaga ao senado pelo partido. No pleito de 2024, ela repassou R$ 1 milhão para a legenda. Por meio de nota, Lucas Kallas disse que a doação, “foi feita para o PSD Nacional, em caráter pessoal e seguindo a legislação eleitoral, sem qualquer vinculação com o ministro”. Deflagrada em 28 de março, a Operação Parcours apura irregularidades nas atividades da Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra) na mina Curumi entre 2014 e 2025. Os agentes relatam, em documento ao qual a Agência Pública teve acesso, que a companhia, sob o subterfúgio de recuperação ambiental, retirou minério da área sem autorização prévia, causando impactos irreversíveis ao meio ambiente, com prejuízo estimado de R$ 832 milhões. Além disso, a empresa deixou de arrecadar cerca de R$ 11 milhões em Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). O caso é descrito no relatório pela PF como uma “distopia ambiental”. Segundo as investigações, o esquema teria começado após a entrada de Kallas, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano Henriques na sociedade da Empabra, em 2013, por meio da Companhia Mineradora Ferro Phoenix – que posteriormente passou a se chamar Green Metal Soluções Ambientais. Até então, a Empabra estava sob o comando de Juarez de Oliveira Rabello e João Henrique Pereira.