Em 5 anos, 45 mil homens foram vítimas de violência sexual no Brasil

Em Foco

12/05/2025 - 12:25:00 | 3 minutos de leitura

Em 5 anos, 45 mil homens foram vítimas de violência sexual no Brasil

Entre os anos de 2020 e 2024, 45.716 homens foram vítimas do crime de estupro no Brasil. No ano passado, o país bateu o recorde desse tipo de violência, com 10.603 casos registrados, um aumento de 29,4% em relação a 2020, que registrou 8. 188.No mês de janeiro, o Brasil registrou o maior número de casos de violência sexual contra homens dos últimos 6 anos. Com 1.117 registros, o ano já começou batendo o recorde dos anos anteriores. O ano de 2021 iniciou um período de redução nos casos em janeiro com 819, seguido por 629, em 2022; e 753, em 2023. No entanto em 2024, o número voltou a superar os 832 em 2020 e fechou o mês com 844. Atualmente, janeiro bateu 1.117 e registrou o recorde. Apesar do número alto de vítimas do sexo masculino, as mulheres são grande maioria quando se trata da violência sexual, sendo 339.598 vítimas no recorte 2020-2024. Elas foram 88,1% dos alvos, enquanto os homens corresponderam a 11,8%. A ONG Memórias Masculinas surgiu para prestar apoio profissional para homens que foram vítimas de violência sexual, seja na infância ou na idade adulta. O psicólogo Denis Ferreira é um dos fundadores e explica que a ideia surgiu em 2020, motivado pela quantidade de pacientes vítimas da violência que demoravam a buscar ajuda. “Eu já tinha atendido alguns homens vítimas de violência sexual, que não tinham procurado psicoterapia por conta da violência, mas por outras questões, e que no decorrer da psicoterapia eles falaram das situações vividas. No meio do doutorado, vendo prevalência, fatores associados, consequências para a vida desses homens, eu criei junto com um grupo de amigos a Memórias Masculinas.” Hoje o atendimento fornecido pela ONG é de plantão psicológico e de atendimentos de psicoterapia breve. De 2020 até agora, 400 pedidos de atendimentos são foram feitos, mas de acordo com a análise feita no último mês, apenas 50% desses homens foram atendidos. “Metade dos homens não respondem nosso retorno ou respondem essa mensagem, marcam o atendimento, mas não comparecem. Dos que aceitam nossa ajuda, boa parte já havia falado sobre a agressão com alguém e a gente imagina que seja por essa razão que eles conseguiram aceitar ajuda. Os que não falaram para ninguém, é pouquíssimo provável que nos procurem”, diz Ferreira. Sobre os motivos que ele percebe da demora em buscar ajuda, ele destaca que a primeira delas é “que 90% das agressões sexuais contra os homens são cometidas por outros homens. E então, aquela experiência da violência sexual em si é uma é uma experiência homossexual” e existe um tabu muito grande acerca disso. Um outro motivo apontado é que os homens são socialmente educados para serem fortes e conseguirem se defender e defender quem amam. Eles são reprimidos de mostrar fragilidade. “A violência é a objetificação de uma fragilidade desse homem, já que em tese, ele não foi capaz de se defender e não que ele precisasse se defender, o agressor que não tinha o direito de cometer aquela agressão, mas socialmente falando é como se ele tivesse sido incapaz de ser forte o suficiente para resistir a agressão “, explica.