Ex-presidente Sarney diz que 8 de janeiro não foi golpe: “Houve um excesso de judicialização da política e de politização da justiça”
Em Foco
19/05/2025 - 12:12:00 | 2 minutos de leitura

O ex-presidente José Sarney se manifestou recentemente sobre temas sensíveis da política brasileira, incluindo o papel dos militares, o episódio de 8 de janeiro e as punições aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em suas declarações, Sarney defendeu a consolidação da democracia no Brasil e chamou atenção para o que considera excessos e falhas estruturais no sistema de justiça e de punições do país. Ao ser questionado sobre a presença de militares na política e os processos judiciais relacionados a tentativas de golpe de Estado, Sarney descartou a possibilidade de rupturas democráticas. “Jamais qualquer golpe de Estado ocorrerá neste país, porque já tivemos algumas experiências que foram danosas à nossa tranquilidade democrática. Isso não ocorrerá mais”, afirmou. Segundo o ex-presidente, os próprios militares reconhecem que a democracia é o regime mais adequado. “Os próprios militares chegaram à conclusão de que o melhor regime é o do povo para o povo, e não qualquer aventura autoritária”, declarou. Ele também relembrou o processo de redemocratização iniciado ainda durante o governo do general Ernesto Geisel. “Nós não fizemos a passagem à democracia por meio de uma batalha militar […] mas, sim, por um processo de engenharia política muito bem construído”, explicou, acrescentando que os militares atualmente “estão dedicados a seus deveres constitucionais”. Sobre os ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, Sarney afirmou que não se tratou de uma tentativa de golpe. Para ele, houve um “excesso de judicialização da política e de politização da Justiça”. Ao comentar as punições aplicadas pelo STF aos envolvidos, o ex-presidente criticou o sistema prisional brasileiro. “Enquanto nós tivermos o sistema penitenciário que temos, ele será uma escola de crime em vez de ser um lugar de recuperação”, disse. Para Sarney, o Supremo deve considerar alternativas às penas que envolvam reclusão, em razão da superlotação e ineficácia do sistema. “Temos que abandonar os processos políticos e ver as coisas factualmente”, concluiu.
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