Fraudes no INSS começaram ainda em 2016, aponta relatório da CGU

Geral

08/05/2025 - 12:31:00 | 3 minutos de leitura

Fraudes no INSS começaram ainda em 2016, aponta relatório da CGU

O escândalo de desvios de recursos de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) abriu uma caixa de Pandora e, a cada momento, são reveladas irregularidades cada vez mais antigas e que ocorrem, pelo menos, desde 2016, conforme relatório da Controladoria-Geral da União (CGU).  Analistas, contudo, alertam que o período pode ser maior, podendo chegar até 1994, o que significa que o rombo de R$ 6,3 bilhões estimado inicialmente pode ser bem maior e a recuperação desses recursos será bastante difícil, restando ao contribuinte arcar com mais essa fatura que será arcada pela União. E nessa conta ainda não estão os golpes de crédito consignado de instituições financeiras que atormentam a vida dos aposentados e pensionistas e integram mais uma página desse imbróglio. De acordo com o relatório da CGU, foram identificadas 59 situações em que houve 50 mil descontos na conta de beneficiários para uma única entidade no período de 2016 até 2024. A maior parte desse total, 39, foram registradas nos anos de 2023 e 2024. Esse período foi o que apresentou aumento considerável nos descontos. Entre 2019 e 2022, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocorreram 4 situações. E, entre 2016 e 2018, foram contabilizadas 16 situações. Esse aumento expressivo no volume de descontos foi o que motivou o levantamento da CGU. “Além disso o relatório denuncia que 76% das entidades não apresentaram ou negaram-se a apresentar informações e documentos relativos aos contratos de prestação dos serviços colocados à disposição dos associados, o que dificultou a avaliação da existência e efetividade dos serviços, além de não permitir que se afirme que efetivamente dispõem de arranjos contratuais que possibilitasse o atendimento aos associados conforme manifestado em diferentes oportunidades”, destacou o documento da CGU de 41 páginas. Em uma amostra de 952 beneficiários, apenas 28,9% das entidades e sindicatos procurados enviaram a documentação completa para justificar os descontos. Outras 31,9% delas mandaram a relação dos documentos incompleta. Por outro lado, 39,2% dessas entidades não enviaram nada para a CGU.  Os dados do relatório CGU ainda mostram que, entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, 11 entidades realizaram mais de 100 mil descontos nas contas dos beneficiários do INSS. O órgão ainda ressaltou no relatório que o INSS “não respondeu satisfatoriamente ao ser notificado do não atendimento, por parte das entidades, da demanda apresentada pela CGU para disponibilização de documentos, demonstrando que as estruturas de controle disponíveis não são eficazes para responder com a celeridade que a situação requer”.