Governistas tentam blindar irmão de Lula em CPMI do INSS
26/08/2025 - 12:38:00 | 3 minutos de leitura

Deputados da base do governo foram chamados ao Palácio do Planalto para uma reunião com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman. A ideia é acertar os ponteiros e evitar uma derrota acachapante como a da semana passada na CPMI do INSS. Fontes do governo dizem que a prioridade é levar o ex-presidente Jair Bolsonaro para prestar depoimento na CPMI.
Já no lado da oposição, o empenho é para convocar o irmão do presidente Luís Inácio Lula da Silva, Frei Chico, que é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos (Sindnapi), uma das entidades investigadas. Até o momento, não há nenhuma investigação do esquema fraudulento que envolva o nome de Frei Chico.
O deputado federal Alencar Santana (PT – SP) titular da CPMI disse que o foco deve recair sobre o presidente do sindicato,” o presidente do sindicato, sim, podemos chamar, e aí, se precisar, chamaremos o vice”. Outro ponto defendido por aliados do Planalto é o parentesco com Lula. Para eles, a convocação não pode ocorrer apenas por ele ser irmão do presidente. “Não é investigação parental”, declarou Santana, reforçando o discurso de blindagem.
Na semana passada, a oposição deu “um cavalo de pau” e conseguiu indicar para presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), e para relator, o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), apesar do que estava acordado com líderes do governo e presidentes da Câmara e do Senado.
Segundo o deputado Izalci Lucas (PL-DF), o principal objetivo da oposição é dar transparência em todo o processo independentemente da questão partidária ou de governo. “Se o governo tivesse assumido a presidência e a relatoria, já estaria com a narrativa pronta”, afirma argumentando que vai ser possível uma investigação isenta.
“Agora tem que ouvir todo mundo, inclusive se foi do governo Bolsonaro. Vamos investigar tudo desde o começo, doa a quem doer. Não vai passar a mão na cabeça de ninguém, seja A, B, C. É evidente que o que não vai faltar é irregularidades. Não só com relação aos descontos, mas vão aparecer outras coisas. CPI a gente sabe quando começa, mas não sabe quando termina,” afirma.
O deputado federal Rogério Correa (PT-MG) avalia como um erro o que aconteceu na semana passada. “Em tese, a gente tem maioria na CPMI, vamos ter que demonstrar isso amanhã. Unificar uma posição e mostrar que a gente tem maioria, inclusive, na aprovação de requerimentos”, declarou. O petista contesta a convocação do irmão do presidente Lula, já que ele só assumiu a vice-presidência da entidade em 2024, segundo Corrêa. Por outro lado, ele apresentou requerimento para convocar o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. “Toda fraude foi denunciada por os servidores do INSS na gestão Bolsonaro”, acrescenta.
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