Governo brasileiro alerta que ‘intervenção externa’ na Venezuela pode ‘incendiar’ América do Sul
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25/10/2025 - 13:00:00 | 3 minutos de leitura

Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, expressou preocupação com os ataques americanos sem ‘nenhuma prova’ contra embarcações de supostos traficantes de drogas no Caribe Captura de vídeo publicada na rede Truth Social, na conta @realDonaldTrump do presidente dos EUA, Donald Trump, mostra uma embarcação no mar do Caribe. Isso não será aceito pelo Brasil, advertiu Amorim Uma intervenção dos Estados Unidos para depor o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “pode incendiar a América do Sul” e isso não será aceito pelo Brasil, advertiu em entrevista à AFP o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim. Ministro das Relações Exteriores de Lula em seus primeiros dois governos (2003-2010), Amorim expressou preocupação com os ataques americanos sem “nenhuma prova” contra embarcações de supostos traficantes de drogas no Caribe, perto do litoral venezuelano, o que classificou como uma “ameaça de intervenção externa”. O assunto, segundo o assessor, pode estar na agenda da possível reunião, ainda a ser confirmada, entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo na Malásia, à margem da cúpula regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). As relações entre ambos os mandatários ficaram ainda mais tensas depois que o republicano impôs sanções ao Brasil motivadas pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Pergunta: Lula expressará seu descontentamento a Trump pelos ataques americanos a embarcações no Caribe se a reunião de domingo se concretizar? Resposta: “Depende do clima da conversa. O Brasil claramente se preocupa com o uso da força ou a ameaça do uso da força ou a ameaça de métodos clandestinos, tipo CIA, para derrubar governos da região. Não queremos uma convulsão na nossa região. Dependendo do que acontecer isso pode efetivamente ter consequências muito profundas na região, muito graves. Não vão ficar limitadas até os países onde isso acontecer. Há a questão de uma ameaça de intervenção externa (…) tem pessoas morrendo já. Eu não sei se são narcotraficantes, não parece, não há nenhuma prova de que eles sejam. Isso é muito perigoso”. Não podemos aceitar uma intervenção externa. Porque isso vai criar um ressentimento imenso (…) para o Brasil, cria problemas concretos de refugiados, para a Colômbia também. Então isso pode incendiar a América do Sul. Radicalização da política em todo o continente”. R: “A palavra Bolsonaro não foi pronunciada na conversa [no telefonema entre Lula e Trump em 6 de outubro]. Como em todo governo, há pessoas mais pragmáticas, há pessoas mais ideológicas. Nesse caso, pessoas pragmáticas devem ter falado com ele [Trump]”.
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