Guerra contra nudismo na Praia do Pinho ganha novo capítulo em Balneário Camboriú
Geral
14/12/2025 - 11:02:00 | 3 minutos de leitura

Moção de apoio a abaixo-assinado contra a prática foi protocolada na Câmara de Vereadores A discussão sobre o fim do naturismo na Praia do Pinho, em Balneário Camboriú, voltou ao centro do debate político com o protocolo de uma moção de apoio a um abaixo-assinado que pede o encerramento da prática. A iniciativa foi apresentada nesta semana na Câmara de Vereadores e reacende um impasse que se arrasta há décadas no município. A moção foi proposta pelo vereador Guilherme Cardoso (PL), com base em um abaixo-assinado organizado pela Associação de Moradores de Taquaras. Segundo o parlamentar, o documento já reúne 385 assinaturas de moradores que defendem o fim do nudismo na praia, considerada o berço do naturismo no Brasil. De acordo com Cardoso, o debate deixou de ser apenas moral e passou a envolver questões de segurança pública, preservação ambiental e proteção das comunidades vizinhas, como Taquaras, Estaleiro e Estaleirinho. Para o vereador, Balneário Camboriú vive um novo momento e precisa garantir ordem pública e segurança às famílias que residem e circulam na região sul da cidade. Moradores relatam episódios de atos obscenos, abordagens a pedestres com convites para práticas sexuais, descarte de resíduos íntimos na vegetação e danos ambientais. Segundo esses relatos, parte das ocorrências se concentra na trilha de acesso à praia e em áreas de mata próximas. O comandante da Polícia Militar em Balneário Camboriú, tenente-coronel Rafael Vicente, também defende a retirada do status de praia de naturismo. Conforme a corporação, há dificuldade de atuação policial no local devido à nudez permitida, apesar de atos obscenos e uso de drogas não serem autorizados, mesmo em praias naturistas. A tentativa de proibir o nudismo na Praia do Pinho não é inédita. Registros históricos mostram que projetos semelhantes já foram apresentados ao longo das últimas décadas, sempre com o argumento de combater práticas consideradas inadequadas ao espaço público. Em uma das iniciativas mais recentes, em 2022, um projeto de lei buscava transformar o Pinho em uma praia convencional. À época, o Ministério Público de Santa Catarina recomendou que a Câmara não promovesse alterações pontuais até a discussão de um novo Plano Diretor do município. A revisão do Plano Diretor de Balneário Camboriú foi anunciada neste ano e o texto chegou recentemente à Câmara de Vereadores. A prefeitura informou que o documento passou por fase de sugestões da comunidade, o que reacende a possibilidade de mudanças no regramento da Praia do Pinho. Especialistas e autoridades reforçam que, embora o nudismo seja permitido por legislação municipal, atos obscenos e libidinosos configuram crime conforme o Código Penal e não são autorizados em nenhuma circunstância. Entre os argumentos favoráveis ao fim do nudismo está a possibilidade de ampliar o acesso à praia para pessoas não adeptas da prática, atraídas pelas características naturais do local, como a água cristalina e a areia clara. Atualmente, no entanto, não é obrigatório estar nu para frequentar a Praia do Pinho. Adepto do naturismo argumentam que a nudez não possui conotação sexual e que acabar com a prática representaria um retrocesso. Eles citam países como Alemanha, Grécia, Espanha, Estados Unidos e Portugal, onde há praias com nudez permitida e regulamentada.
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