Inadimplência nos Cartões Cresce e Indica Dificuldades na Recuperação do Crédito

Em Foco

04/10/2025 - 13:53:00 | 3 minutos de leitura

Inadimplência nos Cartões Cresce e Indica Dificuldades na Recuperação do Crédito

O primeiro trimestre de 2025 trouxe um sinal de alerta para o mercado de crédito brasileiro. Segundo levantamento inédito da Serasa Experian, a pontualidade no pagamento das faturas de cartão caiu de 80,9% no mesmo período de 2024 para 78,1% neste ano. A redução de 2,8 pontos percentuais mostra que mais consumidores estão atrasando ou deixando de pagar suas contas em dia. O indicador é considerado antecedente da inadimplência e aponta para um cenário de maior risco. Segundo a economista da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, isso é um termômetro da restrição financeira das famílias. “Notamos uma queda da pontualidade de pagamento das faturas de cartão de crédito. Os dados mostram que a população está com dificuldade de cumprir suas obrigações financeiras. Há uma redução significativa da pontualidade de pagamentos, devido aos juros elevados”, diz. A deterioração do indicador foi registrada tanto entre homens como entre mulheres. Para o público masculino, a pontualidade caiu de 81% para 78,4%. Entre as mulheres, a queda foi ainda mais acentuada: de 80,9% para 77,9%. Na prática, isso significa que mais de um em cada cinco pagamentos de faturas não ocorre dentro do prazo, tendência que pressiona o aumento da inadimplência. O Cadastro Positivo da Serasa também mostra que o valor médio das faturas de cartão de crédito encolheu. A média passou de R$ 1.419,88 no primeiro trimestre de 2024 para R$ 1.306,84 no mesmo período deste ano, uma queda de R$ 113,04. Esse recuo revela que os consumidores estão gastando menos no cartão, mas ainda assim enfrentam dificuldades para manter os pagamentos em dia. Os números refletem um quadro mais amplo de fragilidade. O Brasil contabiliza hoje cerca de 78,2 milhões de CPFs negativados. Cerca de 28% dessas negativações estão ligadas a dívidas com bancos e administradoras de cartão de crédito. A dívida média do consumidor inadimplente é de R$ 6.177, valor equivalente a cerca de quatro salários mínimos. Abdelmalack diz que o movimento não decorre de uma mudança de comportamento do consumidor, mas sim da postura mais cautelosa das instituições financeiras. “Não há uma questão comportamental de o consumidor usar menos crédito, o que ocorre é que os bancos estão cortando limites, as instituições financeiras estão mais cautelosas na concessão e na liberação de limites”, afirma. Segundo ela, esse impacto ficou mais evidente na virada do primeiro para o segundo trimestre deste ano, em linha com os dados de inadimplência do Banco Central (BC) e com os relatórios de política monetária. “É possível ver claramente uma tendência de desaceleração na concessão do crédito ao consumidor”, diz. A deterioração da pontualidade acontece em um ambiente de juros ainda elevados. A taxa Selic, mantida em patamar alto para controlar a inflação, encarece o crédito e aumenta o custo da dívida para famílias e empresas. O rotativo do cartão, em especial, é uma das linhas mais caras do mercado. Quando consumidores entram nessa modalidade, a tendência é de rápida multiplicação da dívida.