Irã está mesmo prestes a produzir bomba nuclear? Especialista responde

Em Foco

19/06/2025 - 10:55:00 | 3 minutos de leitura

Irã está mesmo prestes a produzir bomba nuclear? Especialista responde

Israel lançou na última quinta-feira uma série de ataques contra o Irã, alegando que o país representa uma ameaça existencial. Tel Aviv acusa Teerã de manter um programa secreto para desenvolver armas nucleares que estaria “próximo” de conquistar seu primeiro artefato nuclear. Os alvos da ofensiva israelense foram instalações estratégicas do programa atômico iraniano, como a de Natanz, reacendendo os temores de uma guerra regional mais ampla. Em cinco dias de bombardeios, ao menos 224 pessoas morreram no Irã, e 24 em Israel. A escalada provocou reações de governos e organismos internacionais. O G7 e os Estados Unidos reafirmaram o "direito de defesa" de Israel, e endureceram o discurso contra Teerã, afirmando que o país é a principal "fonte de instabilidade e terror regional" e que "jamais poderá ter uma arma nuclear". As declarações foram condenadas por organizações islâmico-americanas. O Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) afirmou que Trump repete os mesmos erros da era George W. Bush. “Assim como o Iraque não possuía e não buscava armas de destruição em massa, o Irã não possui nem busca uma arma nuclear”, diz o comunicado. Em meio a essa guerra de narrativas, o SBT News entrevistou o professor Fernando Brancoli, especialista em Segurança Internacional e Geopolítica do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IRID - UFRJ). Ele explicou quão perto está a República Islâmica de fabricar uma bomba nuclear e o impacto dos ataques recentes sobre o programa atômico do país. Irã estava prestes a produzir uma bomba nuclear? "Hoje, reconhece-se que o Irã tem em seu estoque cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível que muitos especialistas consideram 'próximo de grau militar'", explica Brancoli. Segundo ele, estimativas técnicas sugerem que esse volume seria suficiente para produzir material para múltiplas ogivas nucleares em questão de uma a duas semanas, caso Teerã decidisse enriquecer o material até os 90% necessários para uso militar — o chamado breakout. No entanto, o professor pondera que a posse de urânio altamente enriquecido não equivale automaticamente à fabricação de uma bomba. "Seriam necessários componentes adicionais — projeto, testes, miniaturização e montagem de um sistema de detonação. Até o momento, não há evidências públicas de que o Irã possua essas peças finais prontas." A questão sobre a existência de um programa secreto também é controversa. “Não há prova incontestável de que o Irã esteja atualmente construindo uma arma nuclear”, afirma Brancoli. Ele menciona o Programa AMAD, que teria funcionado até 2003, como o último esforço militar conhecido, e que, segundo o próprio governo iraniano, foi encerrado. Desde então, Teerã tem mantido as inspeções, ao menos oficialmente, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas encarregado de monitorar programas nucleares civis e prevenir o desenvolvimento de armas.