Lewandowski diz a aliados que pretende deixar Ministério da Justiça até sexta-feira (9)
Em Foco
07/01/2026 - 13:04:00 | 3 minutos de leitura

Lula tenta adiar demissão até encontrar substituto para a pasta, mas fontes do Palácio do Planalto dizem que saída do ministro é iminente O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, avisou a aliados que pretende deixar o cargo até sexta-feira (9), segundo apurou o SBT News. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta adiar a demissão até encontrar um substituto para o comando da pasta, mas fontes do Palácio do Planalto dizem que a saída é iminente. Lewandowski quer se reunir com Lula nesta semana. O encontro deve ocorrer após o retorno do presidente do recesso na Restinga da Marambaia, previsto para esta terça (6). Nos bastidores do MJSP, a avaliação é de que a decisão está consolidada e dificilmente será revertida. Servidores da pasta afirmam que, nos corredores, já corre a informação de que as gavetas do gabinete do ministro já teriam sido esvaziadas. Diferentemente de outros ministros que deixarão a Esplanada neste começo de ano para disputar eleições, Lewandowski não vai concorrer a nenhum cargo público. A decisão de sair do governo é pessoal e por cansaço, após uma série de desgastes internos. Parte dos secretários da pasta pode seguir o mesmo caminho. Interlocutores do ministro dizem que ficou evidente um possível esvaziamento da pasta depois de Lula ter dito, em dezembro, que pode recriar o Ministério da Segurança Pública. Hoje, a área fica sob o guarda-chuva da Justiça. A saída de Lewandowski, se concretizada, ocorrerá antes de ele ver aprovada no Congresso a PEC da Segurança Pública, sua maior bandeira no governo. Após impasses nas últimas semanas de 2025, a votação da proposta na Câmara foi adiada para este ano. Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça no início de 2024, após Flávio Dino, que antes comandava a pasta, ser indicado por Lula para uma vaga na Corte. Ao longo de sua permanência no governo, o ministro da Justiça travou embates com a Casa Civil pelo aval para apresentar a PEC da Segurança Pública. Após ficar meses parada, a proposta foi enviada ao Congresso no ano passado. Depois da megaoperação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que deixou 122 mortos e colocou a segurança no centro do debate do País, aliados de Lula disseram que Lewandowski não tinha perfil de "xerife" para encampar uma resposta à ofensiva do governador Cláudio Castro (RJ). Ao falar em recriar o Ministério da Segurança Pública, com o consequente esvaziamento da pasta da Justiça, Lula mirou a eleição. Está claro para o governo e para o PT que o tema, encampado há muito tempo pela direita, será central para a tentativa de reeleição do petista.
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