Lula é orientado a evitar improviso em falas sobre segurança pública
Em Foco
10/11/2025 - 12:31:00 | 3 minutos de leitura

A recomendação visa impedir que eventuais declarações do presidente se transformem em munição para a oposição, especialmente em um momento em que o tema da segurança deve ganhar centralidade no debate eleitoral. Aliados citam como exemplo a fala de Lula, na Indonésia, quando o presidente afirmou que “traficantes são vítimas de usuários”. Apesar de ter se retratado em seguida e dito que a frase foi mal colocada, o trecho continua sendo usado pela direita para atacá-lo. Nos bastidores, o entendimento é que o presidente não pode “morder a isca” da oposição, que tenta reforçar o discurso de que a esquerda é leniente com o crime organizado. Desde a megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, no último dia 28, Lula tem se manifestado apenas pelas redes sociais sobre o assunto. Um dia após a ação, o presidente escreveu que havia se reunido com ministros e determinado o envio de uma comitiva ao Rio para se encontrar com o governador Cláudio Castro (PL).“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades. Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, disse Lula. No dia 31 de outubro, após assinar o projeto de lei Antifacção, o presidente voltou a publicar nas plataformas digitais. No texto, Lula afirmou que o projeto do governo “eleva para até 30 anos as penas para quem integra facções criminosas” e cria mecanismos para ampliar o poder do Estado e das polícias na investigação e no asfixamento financeiro das organizações. O presidente destacou ainda que o PL Antifacção se soma à PEC da Segurança Pública, enviada em abril ao Congresso, para promover “ações integradas entre os órgãos federais, estaduais e municipais no combate aos criminosos”. “As facções só serão derrotadas com o esforço conjunto de todas as esferas de poder. Diferenças políticas não podem ser pretexto para que deixemos de avançar. Por isso, confio no empenho dos parlamentares para a rápida tramitação e aprovação destes nossos projetos. As famílias brasileiras merecem essa dedicação”, escreveu Lula. Pesquisa realizadas sobre o tema indicam que 87,6% dos moradores de favelas cariocas aprovam a ação, 12,1% a desaprovam e 0,3% não souberam ou preferiram não responder. No restante da população carioca, a aprovação é de 55%, enquanto a desaprovação alcança 40,5%, com 4,5% sem opinião. A disparidade evidencia percepções e experiências distintas entre os grupos sociais sobre a eficácia e o impacto dessas operações. Em âmbito nacional, a aprovação entre moradores de favelas também supera 80%, apontando para um consenso nessas comunidades.
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