Lula está entre a cruz e a espada, em um dos piores dilemas do seu governo

Em Foco

08/07/2025 - 18:55:00 | 3 minutos de leitura

Lula está entre a cruz e a espada, em um dos piores dilemas do seu governo

Nas três gestões do petista à frente do Palácio do Planalto, nunca Lula atingiu esse baixo nível de aceitação popular; a cada levantamento divulgado pelos diversos institutos de pesquisa, há uma queda ainda maior. Os discursos malfeitos são só um detalhe, pois não há retórica, por mais bem elaborada que seja, que funcione sem um bom conteúdo. Lula procurou sarna para se coçar. E encontrou. Como dizem no interior: macaco que muito pula quer chumbo. Gastou, gastou até ultrapassar todos os limites permitidos e desejáveis. Para cobrir essa gastança, entrou de cabeça com a sanha arrecadatória. Essa equação gasto/arrecadação é um dos motivos para a sua baixa popularidade. O governo se tornou tão impopular que bateu seus próprios recordes históricos. Nas três gestões do petista à frente do Palácio do Planalto, nunca Lula atingiu esse baixo nível de aceitação popular. A cada levantamento divulgado pelos diversos institutos de pesquisa, há uma queda ainda maior que a vivenciada nas anteriores. Quando parece que chegou ao fundo do poço, eis que surge mais uma fresta que atrapalha de maneira mais acentuada os planos de Sidônio Palmeira em reverter a situação desesperadora. As últimas tentativas do Ministro-Chefe da Secretaria de Comunicação Social foram as de colocar Lula no palanque. Afinal, pensou o responsável pela pasta que tem por incumbência cuidar da imagem do presidente, o homem é bom de microfone. A vida inteira conquistou o coração do eleitorado na base dos discursos ora eloquentes, ora debochados e irônicos. Noves fora nada, foi fácil deduzir que seria o caminho mais simples, rápido e eficiente de jogar para cima a curva que teima em caminhar ladeira abaixo. Só que não está dando certo. Os improvisos do chefe do Executivo parecem ter perdido o encanto. Praticamente em todas as vezes que vai para o microfone, por um desses fenômenos inexplicáveis, sai uma mensagem enviesada que prejudica ainda mais a figura de Lula. Como o governo não possui planos concretos para colocar o país nos trilhos, o que disser é visto como palavras sem respaldo que as sustentem. Para piorar, e muito, o Executivo não consegue se entender com o Legislativo. Lula perdeu a interlocução com o Parlamento. Seus projetos, além de frágeis e inconsistentes, não convencem Suas Excelências a embarcar nessa canoa furada. São derrotas atrás de derrotas, demonstrando que a articulação do governo não conta nem com o amparo dos políticos que compõem sua base aliada. Uma prova desse desacerto foi a surra que o decreto para elevação do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) levou com votação estrondosa. A desculpa de que o objetivo era regulatório não colou, pois todos sabem que no fundo o que o governo pretendia era mesmo aumentar a arrecadação. Sem ter como agir para fazer frente aos gastos incontroláveis, restou a Lula uma saída ainda pior: recorrer ao Judiciário. Pode até conseguir derrubar no STF (Supremo Tribunal Federal) a decisão do Parlamento, mas o custo dessa aventura será alto demais. Não nos esqueçamos de que o presidente já está em campanha aberta para tentar a reeleição. Essa atitude, com certeza, vai corroer ainda mais sua imagem e poderá tirar de vez suas chances de concorrer ao quarto mandato.