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Mar de Tainha "Desfila" Diante de Pescadores em SC em Meio à Proibição do Governo Lula
 

Mar de Tainha "Desfila" Diante de Pescadores em SC em Meio à Proibição do Governo Lula

Cardumes gigantescos surgem rente à praia de Quatro Ilhas enquanto a pesca de arrasto de praia sofre restrições federais; comunidade pesqueira protesta e exige revisão das regras.

Santa Catarina

09/06/2026 - 06:44:00 | 3 minutos de leitura

Mar de Tainha

O contraste entre a abundância da natureza e o rigor das canetadas governamentais gerou revolta e frustração no litoral de Santa Catarina. Imagens gravadas na praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas, viralizam nas redes sociais ao mostrar um verdadeiro "mar de tainha" desfilando a poucos metros da areia. O espetáculo natural, no entanto, foi acompanhado pelo lamento dos pescadores artesanais, impedidos de lançar suas redes devido às recentes proibições e restrições de cotas estabelecidas pelo Governo Federal para a safra atual.


O Impasse Ambiental e Econômico

A insatisfação da categoria ganhou força após o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) imporem limites rígidos e, em algumas modalidades, a proibição total do arrasto de praia motorizado ou de cercos industriais, visando a preservação da espécie (Mugil liza).

Para os pescadores tradicionais catarinenses, a medida desconsidera a realidade prática e a cultura secular das comunidades costeiras. Eles argumentam que, enquanto os cardumes passam intocados diante de seus olhos, as famílias que dependem exclusivamente dessa economia sazonal ficam sem o sustento básico.

"A tainha está batendo na canela e a gente não pode tocar a rede na água. É uma humilhação ver o peixe passar e a nossa tradição ser tratada como crime", desabafou um dos pescadores locais nas redes sociais.


A Proposta dos Pescadores: "Cota Zero" ou Limite por Praia

Diante do cenário, lideranças da pesca artesanal em Santa Catarina começaram a se mobilizar para cobrar uma flexibilização ou uma reformulação urgente das regras de manejo. As principais propostas defendidas pela comunidade incluem:

  • Substituição do modelo atual pelo sistema de "Cota Zero": Onde a restrição severa ou o monitoramento por satélite fiquem restritos apenas às grandes embarcações industriais, liberando a pesca de subsistência e o arrasto de praia tradicional.

  • Estabelecimento de limite por praia: Em vez de uma cota global e unificada para todo o estado ou região Sul (que costuma esgotar em poucos dias), os pescadores sugerem que cada rancho de pesca ou praia tenha um teto específico de capturas diárias ou semanais, garantindo uma distribuição mais justa do recurso.

Até o momento, os órgãos federais mantêm o posicionamento de que as restrições são baseadas em relatórios científicos que apontam o risco de colapso do estoque pesqueiro da tainha no Atlântico Sul. Enquanto o impasse político e ecológico continua, as tainhas seguem seu curso migratório, desfilando livremente sob o olhar desolado dos trabalhadores do mar.


Foto: Reprodução/Jornal Razão