Merz reafirma apoio a Israel, mas adverte contra anexações na Cisjordânia

Em Foco

09/12/2025 - 17:21:00 | 4 minutos de leitura

Merz reafirma apoio a Israel, mas adverte contra anexações na Cisjordânia

Em 1ª visita a Israel, chanceler federal enfatiza “reponsabilidade” da Alemanha na defesa de Israel e diz que Berlim não pretende reconhecer Estado palestino num futuro próximo, mas desencoraja anexações na Cisjordânia. O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, cumpriu no fim de semana a sua primeira visita oficial a Israel desde que assumiu o cargo em maio. Ao longo da viagem de dois dias, o líder alemão reafirmou tanto o que chamou de “responsabilidade histórica” do seu país na “defesa” e “segurança” de Israel e disse que a Alemanha não pretende reconhecer um Estado palestino num futuro próximo. Por outro lado, Merz também advertiu contra a possibilidade de o governo do premiê Benjamin Netanyahu anexar território palestino na Cisjordânia ocupada. A visita de Merz também marcou primeira viagem de um grande país europeu a Israel desde que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandado de captura contra Netanyahu por sua possível implicação em crimes de guerra na Faixa de Gaza palestina. No último ano, Merz criticou a decisão do TPI, embora a Alemanha seja signatária do tribunal e historicamente um dos países que mais colaborou na sua criação. A viagem de Merz também ocorre após um período de breve tensão entre os dois governos, na esteira de uma decisão anunciada em agosto pelo governo alemão, que pressionado pela opinião pública, impôs restrições ao envio de algumas exportações de armamento para Israel que poderiam ser usadas em Gaza. Embora a Alemanha estivesse bem distante de integrar o círculo de países mais vocalmente críticos às ações de Israel em Gaza, o episódio marcou um desgaste temporário nas relações entre as duas nações. Em outubro, após a entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza, as exportações foram retomadas. No domingo, Merz, visitou o Museu do Holocausto Yad Vashem em Jerusalém e destacou a “duradoura responsabilidade histórica” da Alemanha pelo assassinato de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. “Inclino minha cabeça em deferência aos seis milhões de homens, mulheres e crianças de toda a Europa que foram assassinados por alemães por serem judeus. Garantiremos que a lembrança do atroz crime da ‘shoá’ (Holocausto em hebraico) perpetrado por alemães contra o povo judeu se mantenha viva”, disse o chanceler. Após visitar o museu, ressaltou que ali “a duradoura responsabilidade histórica da Alemanha se torna palpável”. “A Alemanha deve defender a existência e a segurança de Israel. Isso permanecerá para sempre de forma indissociável na essência de nossa relação”, completou Merz. Ainda no domingo, durante encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Merz advertiu que Israel não pode levar a cabo “nenhuma medida” anexionista no território palestino da Cisjordânia. O chefe de governo israelense, por sua vez, respondeu que isso ainda é “tema de debate”. Durante suas palavras introdutórias em uma entrevista coletiva, Merz afirmou categoricamente que “não pode haver medidas anexionistas na Cisjordânia”, e acrescentou que não pode ocorrer “nenhuma medida formal, política, estrutural ou de outro tipo que equivalha a uma anexação”. Em relação a um futuro Estado Palestino (composto pela Cisjordânia e pela Faixa de Gaza), Merz disse que a Alemanha trabalha para que o Estado de Israel seja reconhecido e aceito no Oriente Médio, mas acrescentou que seu país acredita também “firmemente” na solução de dois Estados – palestino e israelense. “Uma solução de dois estados só pode ser alcançada mediante negociações, e será o resultado destas negociações, mas estas negociações são necessárias agora mesmo”, explicou. Segundo Merz, seu governo sustenta que “o reconhecimento de um Estado palestino só pode ser o final, não o começo, de tal processo”, razão pela qual a Alemanha não o reconheceu na Assembleia da ONU em setembro, ao contrário de vários países que deram esse passo, entre eles a vizinha e aliada França. A criação de um Estado palestino é firmemente rejeitada por Netanyahu e seu governo. Durante o encontro, Merz reiterou que a Alemanha não pretende reconhecer o Estado palestino “num futuro próximo”.