MST inicia campanha nacional para cobrar reforma agrária de Lula
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22/07/2025 - 12:36:00 | 3 minutos de leitura

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) lançou na 2ª feira (21) uma campanha nacional com o questionamento “Lula, cadê a reforma agrária?”. A iniciativa busca cobrar ações concretas para implementação da reforma agrária no Brasil. A campanha marca uma mudança estratégica do movimento, que agora pretende dialogar diretamente com o presidente, sem intermediários. O MST, que apoiou a eleição de Lula em 2022, tem manifestado insatisfação com a condução da política agrária desde o início da atual gestão federal. Na carta divulgada pelo movimento, o MST estabelece conexões entre a defesa da soberania nacional e a questão da soberania alimentar brasileira. “A ameaça à nossa soberania popular e nacional também tem vindo de dentro do próprio país, com a subordinação da nossa agricultura às empresas transnacionais e com as ações do Poder Legislativo, representante dos interesses do agronegócio e da mineração”, afirma o documento. O movimento defende que “a reforma agrária é um instrumento de defesa das terras do país, em contraposição ao agronegócio entreguista, golpista, saqueador e antipatriótico” e sustenta que “soberania nacional só é possível com soberania alimentar”. Dados divulgados pelo MST indicam a existência de mais de 122 mil famílias acampadas no Brasil. O movimento também aponta que aproximadamente 400 mil famílias já assentadas aguardam políticas públicas para melhorar a produção de alimentos e desenvolver seus lotes. A organização critica a lentidão no processo de reforma agrária e o congelamento de recursos destinados à agricultura familiar e à aquisição de alimentos. O MST também se posiciona contra projetos legislativos que considera prejudiciais à reforma agrária e ao meio ambiente. Na carta, o movimento critica o projeto de lei que flexibiliza regras de licenciamento ambiental, já aprovado pelo Congresso e aguardando decisão presidencial. Também se opõe à proposta que tramita na Câmara dos Deputados permitindo ação policial sem ordem judicial em ocupações rurais e urbanas. “Após mais de 3 anos de governo Lula, a reforma agrária continua paralisada —e as famílias acampadas e assentadas se perguntam: Lula, cadê a reforma agrária?”, questiona o movimento em seu comunicado. O MST tem solicitado a substituição do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, a quem responsabiliza pela atual situação da reforma agrária no país. Também critica a manutenção de uma instrução normativa do governo Bolsonaro que facilita a mineração e grandes obras em áreas de assentamentos rurais.
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