Narcotráfico usava grifes e imóveis de luxo em Balneário Camboriú como “lavanderia”
09/08/2023 - 13:05:58 | 3 minutos de leitura

Imóveis, carros luxuosos e outros bens foram comprados por traficantes em Balneário Camboriú, indica uma investigação da Polícia Civil do Paraná. O grupo buscava o Litoral catarinense para uma verdadeira lavagem do dinheiro fruto do narcotráfico. Usando “laranjas” para as aquisições, os criminosos ostentavam uma vida de alto padrão em apartamentos e casas milionárias, além de viagens caras e outros “mimos”.
Balneário Camboriú, Camboriú e Içara tiveram mandados de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira (8), divulgou a Polícia Civil do Paraná. Porém, era Balneário Camboriú a cidade “queridinha” dos traficantes, explicou a delegada Franciela Alberton, responsável pela investigação. O município se tornou “lavanderia” para os envolvidos, que possuíam empresas de fachada, como uma de investimentos e uma corretora “especializadas em imóveis luxuosos das melhores grifes das construtoras” do Brasil e exterior, conforme publicidade do próprio negócio nas redes sociais. — Nessas empresas foram coletados muitos documentos, grande quantia de dinheiro em espécie e cheques que vinculam aos integrantes da organização criminosa — disse a delegada.
Antes de chegar a solos catarinenses, os policiais desvendaram todo o esquema. A investigação começou em março, depois que um caminhão frigorífico transportava não só alimentos congelados, mas também quase duas toneladas de maconha em um fundo falso. Por isso, a operação desta terça foi batizada de “Carga Fria”. A partir de então, a Divisão Estadual de Narcóticos de Pato Branco identificou a chácara onde a droga havia sido carregada, em Toledo, também no Paraná. No local, os policiais encontraram um bunker usado para armazenar os entorpecentes sob um chiqueiro de porcos.
Na sequência das investigações, foram identificados diversos suspeitos de envolvimento nos crimes, os quais, de forma organizada e com divisão de tarefas, carregavam a droga na região Oeste paranaense e a distribuíam para Curitiba, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Nordeste do país. Os caminhões frigoríficos eram escolhidos pela dificuldade de fiscalização, já que o rompimento do lacre pode comprometer o produto. As drogas ficavam no fundo falso e o embarcador não desconfiava da situação. Com as notas fiscais dos alimentos, os veículos seguiam livremente até o destino.
Houve apreensão de outra carga durante os quatro meses de investigações, de três toneladas de maconha, também em um caminhão frigorífico, já que esse era o modo de atuação do grupo. Foi assim que os suspeitos geraram lucros milionários. O sequestro de bens autorizado pela Justiça soma cerca de R$ 20 milhões, além dos mais de R$ 700 mil apreendidos durante a apuração e de R$ 7 milhões em drogas recolhidas. Há ainda valores bloqueados em contas e bens apreendidos durante as buscas, que serão contabilizados posteriormente.
Os investigados devem responder por organização criminosa, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e associação para o tráfico, com penas que, se somadas, podem chegar a quase 50 anos de reclusão.
Fonte nsc/foto Polícia Civil, Divulgação
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