Nasa encontra material essencial à vida em asteroide pela primeira vez

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06/12/2025 - 12:22:00 | 4 minutos de leitura

Nasa encontra material essencial à vida em asteroide pela primeira vez

Amostras do asteroide Bennu trouxeram ribose e glicose, além de uma “goma” orgânica e poeira de supernova Sonda espacial paira sobre a superfície rochosa de um asteroide no espaço, em missão de coleta e análise de materiais essenciais à vida, entre um dos materiais essenciais à vida que foram encontrados, está a glicose, citada como a primeira evidência desse açúcar em uma amostra extraterrestre. Você já pensou que um material essencial à vida pode estar “guardado” dentro de um asteroide? Foi isso que cientistas encontraram no asteroide Bennu, trazidos à Terra pela missão OSIRIS-REx, da Nasa: açúcares como ribose e glicose. Mas o que são esses compostos e como eles podem impactar a vida terrestre? Conforme um artigo da Nasa, esses compostos são peças-chave das moléculas biológicas e ajudam a entender como os ingredientes da vida podem ter chegado ao nosso planeta. Em estudos publicados em revistas da família Nature (Nature Geoscience e Nature Astronomy), equipes internacionais descrevem três resultados principais, com açúcares ligados à biologia, uma substância orgânica inédita parecida com “goma” e uma quantidade surpreendente de poeira de supernovas preservadas no material do asteroide. E, essa descoberta chama muita atenção porque envolve açúcares que, na Terra, estão diretamente ligados ao funcionamento da vida. Um grupo liderado pelo pesquisador Yoshihiro Furukawa, da Universidade de Tohoku, no Japão, identificou nas amostras do Bennu o açúcar ribose (de cinco carbonos) e, pela primeira vez em uma amostra extraterrestre, o açúcar glicose (de seis carbonos). Na prática, são dois exemplos claros de material essencial à vida por motivos diferentes: a ribose é componente estrutural do RNA, enquanto a glicose é uma das fontes de energia mais comuns em processos biológicos, além de participar da formação de estruturas como a celulose em plantas. Apesar da notícia, os cientistas reforçam, porém, um ponto central, isso não é evidência de vida no asteroide. O achado indica que blocos químicos usados por organismos podem se formar e existir em ambientes do sistema solar, e, em um cenário possível, terem sido levados à Terra primitiva por meteoritos. Os pesquisadores chamam atenção também para o que não apareceu: desoxirribose, açúcar ligado ao DNA. Para os autores, isso pode indicar que a ribose era mais comum em certos ambientes do sistema solar primitivo, um dado que conversa com a hipótese do “mundo de RNA”, que sugere um início mais simples da vida, baseado no RNA. Para estudar os fragmentos incomuns, os pesquisadores selecionaram grãos ricos em carbono e, então, fizeram uma preparação extremamente delicada: aplicaram camadas ultrafinas de platina para reforçar a partícula, “soldaram” uma microagulha de tungstênio para movimentá-la e reduziram o fragmento até ele ficar muito mais fino que um fio de cabelo. Depois, usaram técnicas como microscopia eletrônica e espectroscopia de raios X em estruturas avançadas do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, para mapear a composição e entender como o material se organizava.  Imagem em preto e branco ao microscópio mostra uma partícula de poeira/rocha com uma sonda tocando o material, indicando análise de materiais essenciais à vida em amostras. O comportamento observado também intrigou, durante o manuseio, a substância foi descrita como maleável, com marcas e “afundamentos” sob pressão, e, com exposição à radiação, tornou-se mais frágil, lembrando um plástico que envelhece ao sol por muito tempo. Quimicamente, o grupo diz ver algumas semelhanças com grupos encontrados no poliuretano na Terra, mas com um alerta: não é poliuretano “igual”, e sim algo menos ordenado, com ligações e composição variando de partícula para partícula. A comparação serve mais para dar uma referência do tipo de estrutura orgânica complexa envolvida. No conjunto, as descobertas ajudam a reconstruir a história do sistema solar e a entender como compostos que formam o material essencial à vida podem ter sido espalhados, e preservados, fora da Terra.