ONU aprova resolução para adotar novo mapa-múndi que reflete o tamanho real da África
Assembleia Geral da ONU aprova a Projeção Equal Earth para corrigir distorções históricas do Mapa de Mercator e representar com precisão as dimensões do continente africano.
05/09/2026 - 03:20:00 | 2 minutos de leitura

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, com 164 votos a favor, uma resolução histórica que recomenda a adoção da Projeção Equal Earth como o novo padrão para mapas globais. A iniciativa, intitulada "Corrigir o Mapa", foi liderada pelo Togo e respaldada pelos países da União Africana (UA). O objetivo central é combater séculos de distorção visual provocados pelo modelo tradicional, a Projeção de Mercator, criada em 1569.
O problema da Projeção de Mercator: Desenvolvido originalmente para auxiliar a navegação marítima europeia, o modelo de Mercator distorce severamente o tamanho das massas terrestres à medida que se afastam da Linha do Equador. Com isso, a África aparece no mapa tradicional com uma dimensão equivalente à da Groenlândia, quando, na realidade geográfica, o continente africano é aproximadamente 14 vezes maior.
O impacto geopolítico e cultural: Críticos da projeção antiga argumentam que a diminuição visual dos países tropicais e do Sul Global ajudou a perpetuar percepções coloniais, minimizando a relevância geopolítica, as necessidades de desenvolvimento e o potencial econômico dessas regiões.
A solução técnica (Equal Earth): Criada em 2018 pelos cartógrafos Tom Patterson, Bojan Šavrič e Bernhard Jenny, a Projeção Equal Earth preserva a proporção relativa da área de todos os continentes. Como a conversão de uma esfera 3D para um plano 2D exige conciliações matemáticas, o novo modelo foca em manter a precisão das áreas terrestres sem deformar excessivamente o formato dos continentes.
Reações e desdobramentos: Embora a decisão da ONU não tenha caráter obrigatório para Governos ou instituições privadas, já começou a gerar mudanças concretas — a França, por exemplo, anunciou que deixará de usar o modelo Mercator em seu Ministério das Relações Exteriores. O pleito contou com oposição isolada dos Estados Unidos, que votaram contra sob a alegação de que a Assembleia Geral deveria focar em conflitos urgentes em vez de debates cartográficos.
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