ONU declara que mais de 500 mil pessoas passam fome em Gaza

Em Foco

23/08/2025 - 14:32:00 | 3 minutos de leitura

ONU declara que mais de 500 mil pessoas passam fome em Gaza

A Cidade de Gaza e as áreas vizinhas estão oficialmente sofrendo com a fome, e é provável que ela se espalhe, segundo determinou um monitor global da fome na sexta-feira (22), em avaliação que aumentará a pressão sobre Israel para permitir a entrada de mais ajuda no enclave palestino. O sistema de classificação da Fase de Segurança Alimentar Integrada (IPC, na sigla em inglês) disse que 514 mil pessoas -- quase um quarto dos palestinos em Gaza -- estão passando fome, e o número deve aumentar para 641 mil até o final de setembro. Cerca de 280 mil dessas pessoas estão em uma região ao norte que abrange a Cidade de Gaza -- conhecida como província de Gaza -- que, segundo o IPC, está passando fome após quase dois anos de guerra entre Israel e os militantes palestinos do Hamas. Foi a primeira vez que o IPC registrou fome fora da África, e o grupo global previu que as condições de fome se espalhariam para as áreas central e sul de Deir al-Balah e Khan Younis até o final do próximo mês. Acrescentou que a situação mais ao norte poderia ser ainda pior do que na Cidade de Gaza, mas disse que os dados limitados impedem qualquer classificação precisa. Israel rejeitou o relatório como falso e tendencioso, dizendo que o IPC havia baseado sua pesquisa em dados parciais fornecidos em grande parte pelo Hamas, que não levou em conta um recente influxo de alimentos. "Não há fome em Gaza", disse o Ministério das Relações Exteriores de Israel em um comunicado. Para que uma região seja classificada como em situação de fome, pelo menos 20% das pessoas devem estar sofrendo de extrema escassez de alimentos, com uma em cada três crianças gravemente desnutridas e duas pessoas em cada 10 mil morrendo diariamente de fome ou desnutrição e doenças. Mesmo que uma região ainda não tenha sido classificada como em situação de fome porque esses limites não foram atingidos, o IPC pode determinar que as famílias dessa região estão sofrendo condições de fome, que ele descreve como inanição, miséria e morte. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em um comunicado que a fome em Gaza é um "desastre causado pelo homem, uma acusação moral e um fracasso da própria humanidade”. Ele pediu um cessar-fogo imediato, a libertação de todos os reféns ainda mantidos pelo Hamas e acesso humanitário irrestrito. "As pessoas estão morrendo de fome. Crianças estão morrendo. E aqueles que têm o dever de agir estão falhando... Não podemos permitir que essa situação continue com impunidade." O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, disse que a fome em Gaza é resultado direto das ações do governo israelense e alertou que as mortes por fome poderiam ser consideradas um crime de guerra. A análise do IPC foi feita depois que Reino Unido, Canadá, Austrália e muitos países europeus disseram que a crise humanitária havia atingido "níveis inimagináveis". No mês passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que muitas pessoas estavam morrendo de fome, o que o colocou em desacordo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirmou repetidamente que não havia fome e culpou o Hamas pela escassez de alimentos.