Pix é estratégico para o Brasil e precisa ficar sob gestão do BC, diz Galípolo
Em Foco
07/08/2025 - 12:35:00 | 2 minutos de leitura

O Pix é estratégico e crítico para o Brasil, sendo muito importante que o sistema permaneça como uma infraestrutura pública gerida pelo Banco Central, disse na quarta-feira, 06, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. O Pix é mencionado em investigação dos Estados Unidos sobre o Brasil aberta sob justificativa de avaliar medidas comerciais injustas, discriminatórias ou restritivas ao país norte-americano. “O Pix se revela uma infraestrutura estratégica e crítica para o país, é uma segurança para o país que ele seja gerenciado e administrado pelo Banco Central”, disse o presidente do BC em palestra no evento Blockchain Rio. Ele avaliou que a inclusão de qualquer tipo de incumbente privado no sistema do Pix poderia gerar conflito de interesses. Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que está fora de cogitação imaginar que o governo brasileiro vai ceder, em negociação comercial com os Estados Unidos, a pressões de empresas multinacionais sobre o Pix, em referência a companhias do mercado de cartões de crédito, dominado por gigantes norte-americanas. Na quarta, entrou em vigor tarifa de importação de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros e Haddad disse que terá uma reunião na próxima semana com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para tratar do assunto. Galípolo defendeu no evento a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da autonomia financeira do BC, ao argumentar que inovações tecnológicas, incluindo as do Pix, “espremem” o orçamento da autoridade monetária. O presidente do BC afirmou que os gastos do órgão com tecnologia cresceram fortemente nos últimos anos, alcançando quase metade das despesas orçamentárias da autarquia. Apresentação disponibilizada pelo órgão aponta que a despesa com tecnologia passou de 29% do orçamento primário da autarquia em 2020 para 42% em 2025, mas pondera que esse percentual não leva em conta despesas com pessoal, meio circulante e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Na apresentação, Galípolo ainda afirmou que soluções como o Pix já são capazes de resolver problemas que países buscam solucionar por meio da criação de moedas digitais de bancos centrais. “Se você tiver um sistema de pagamento instantâneo, como é o caso do Pix, você poderia conseguir endereçar boa parte desses problemas sem gerar, me parece, tanta conturbação, vamos dizer assim, no arranjo monetário que nós temos”, afirmou.
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