Polêmica: Devolução de pessoas em Florianópolis encaminhou mais de 550 pessoas a seus municípios de origem em 2025

Em Foco

15/11/2025 - 13:58:00 | 3 minutos de leitura

Polêmica: Devolução de pessoas em Florianópolis encaminhou mais de 550 pessoas a seus municípios de origem em 2025

A Prefeitura de Florianópolis estima ter encaminhado entre 550 e 600 pessoas a seus municípios de origem, através da atuação da Semas (Secretaria de Assistência Social) até novembro de 2025. Na prática, isso significa pelo menos uma pessoa a cada 14 horas – ou quase duas por dia, desde o início do ano. De acordo com a Semas, esse número é uma soma daquelas pessoas que foram orientadas pelo posto da secretaria na Rodoviária de Florianópolis e as que foram abordadas pela rede de assistência social municipal, nas ruas e nos centros de acolhimento da capital. A abordagem de pessoas na Rodoviária de Florianópolis virou polêmica na última semana, quando o prefeito Topázio Neto (PSD) publicou nas redes sociais um vídeo em que detalha como acontece o controle do fluxo de pessoas no terminal. “Se chegou sem emprego e local para morar, a gente dá a passagem de volta”, afirmou. Também disse que mais de 500 pessoas foram “devolvidas” a seus municípios de origem. Segundo a Semas, não há abordagem de todos os passageiros e o atendimento é “realizado apenas quando a própria pessoa procura o posto em busca de ajuda”. A prefeitura nega que a medida seja algum tipo de “controle migratório”. “O objetivo é oferecer apoio a quem precisa e identificar situações em que outros municípios enviam pessoas em situação de rua para Florianópolis de forma irregular”, afirma. A emissão da passagem ocorre somente após o contato com familiares ou Assistência Social do município de origem da pessoa, informa a Semas. Prefeitura destaca que serviço de atendimento da Assistência Social é voltado para todas as pessoas que chegam na cidade e precisam de alguma Ao ND Mais, O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) informou que tomou conhecimento do vídeo e o caso será encaminhado às Promotorias de Justiça com atribuição na área da cidadania, para “ciência e adoção das providências que entenderem cabíveis”. A DPE-SC (Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina), por sua vez, instaurou procedimento para apurar a conduta. Segundo o órgão, as preocupações são “o discurso e a forma de abordagem adotadas, que passam a ideia de que determinadas pessoas não são bem-vindas na cidade ou estão sendo identificadas e ‘devolvidas’ com base em critérios de seleção inadequados”. O posto de controle da rodoviária funciona há dois anos, assim como as abordagens da assistência social. Mas, segundo a Semas, só existem dados sobre os atendimentos durante 2025.