Por que o lixo espacial ameaça nossa permanência no espaço?
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30/12/2024 - 10:09:00 | 3 minutos de leitura

Um impacto de detritos na Estação Internacional da Nasa, poderia ter sido desastroso. Uma colisão poderia ter despressurizado segmentos da Estação e deixado os astronautas correndo para retornar à Terra. O mais preocupante: o potencial impacto não é um evento raro. A Estação Espacial Internacional teve que fazer manobras semelhantes dezenas de vezes desde que foi ocupada pela primeira vez em novembro de 2000, e os riscos de colisão aumentam a cada ano conforme o número de objetos em órbita da Terra aumenta também. Por anos, especialistas em tráfego espacial têm alertado sobre o aumento do congestionamento. Colisões anteriores, explosões e testes de armas resultaram em dezenas de milhares de pedaços de detritos que especialistas estão rastreando e possivelmente milhões mais que não podem ser vistos com a tecnologia atual. E embora os riscos para os astronautas sejam a preocupação principal, o congestionamento na órbita também é perigoso para satélites e tecnologias espaciais que alimentam nossa vida cotidiana — incluindo ferramentas GPS, bem como alguns serviços de banda larga, internet de alta velocidade e televisão. "O número de objetos no espaço que lançamos nos últimos quatro anos aumentou exponencialmente", disse o Dr. Vishnu Reddy, professor de ciências planetárias na Universidade do Arizona em Tucson. "Então, estamos caminhando para a situação que sempre tememos." Nomeada em homenagem ao astrofísico americano Donald Kessler e baseada em seu artigo acadêmico de 1978, a Síndrome de Kessler — como o termo é conhecido hoje — tem uma definição nebulosa. O termo descreve amplamente um cenário em que detritos no espaço desencadeiam uma reação em cadeia: uma explosão envia uma nuvem de fragmentos que, por sua vez, se chocam com outros objetos espaciais, criando ainda mais detritos. O efeito em cascata pode continuar até que a órbita da Terra fique tão entupida de lixo que os satélites se tornem inoperáveis e a exploração espacial precise parar completamente. Os pesquisadores discordam sobre o nível atual de risco e quando, exatamente, o congestionamento no espaço pode atingir o ponto sem retorno. Mas há um consenso generalizado sobre uma coisa: o tráfego no espaço é um problema sério que precisa desesperadamente ser abordado, de acordo com entrevistas com cientistas e especialistas em tráfego espacial. Desde o início dos voos espaciais em 1957, houve mais de 650 "quebras, explosões, colisões ou eventos anômalos resultando em fragmentação", segundo a Agência Espacial Europeia.
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