Poupança sangra no 1º semestre: saques superam depósitos em R$ 39,3 bilhões

Com rentabilidade pressionada e orçamento das famílias apertado, retirada líquida da poupança mantém ritmo forte; estoque total resiste no patamar de R$ 1,020 trilhão.

Economia

15/07/2026 - 03:01:00 | 2 minutos de leitura

Poupança sangra no 1º semestre: saques superam depósitos em R$ 39,3 bilhões


A caderneta de poupança registrou uma retirada líquida de R$ 39,3 bilhões no primeiro semestre do ano. O saldo negativo é resultado de um período em que o volume de saques superou significativamente o de novos depósitos, refletindo tanto a busca dos investidores por maior rentabilidade quanto a necessidade das famílias de resgatar recursos para honrar compromissos financeiros em meio ao custo de vida ainda elevado.


Mesmo com a forte onda de resgates, o estoque total da aplicação mais tradicional do país encerrou o período em R$ 1,020 trilhão, sustentado principalmente pela própria capitalização dos juros mensais sobre o saldo remanescente.


Por que a poupança continua perdendo recursos?

Analistas apontam dois fatores principais para explicar a debandada de recursos:

  1. Rendimento desfavorável: Com a taxa básica de juros (Selic) em patamares de dois dígitos, a poupança (que rende $0,5\%$ ao mês mais a Taxa Referencial - TR quando a Selic está acima de $8,5\%$ ao ano) perde feio para alternativas de renda fixa conservadora, como o Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária e fundos DI.


  2. Orçamento apertado: Para a parcela da população de menor renda, o saque da poupança não é uma decisão de investimento, mas sim uma necessidade de sobrevivência para cobrir despesas básicas e quitar dívidas.


O impacto no crédito imobiliário

A fuga de recursos da poupança acende um sinal de alerta para o setor de habitação. Como os depósitos da caderneta (via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo - SBPE) são a principal fonte de financiamento imobiliário no país, a redução constante desse saldo tende a encarecer o crédito para a compra da casa própria, forçando os bancos a buscarem fontes de captação mais caras, como as LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e os CRI.


Foto: José Cruz/Agência Brasil