Prática de usar o limite do cartão para “Pix no crédito” é considerada inadequada pelo Banco Central

Em Foco

28/08/2025 - 12:40:00 | 3 minutos de leitura

Prática de usar o limite do cartão para “Pix no crédito” é considerada inadequada pelo Banco Central

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou no início do mês que a autoridade monetária vai regulamentar o Pix parcelado a partir de setembro de 2025. Enquanto a padronização não entra em vigor, parte dos bancos e fintechs oferece o chamado “Pix no crédito” — operação que usa o limite e a fatura do cartão como base para a transferência via Pix e que é considerada inadequada pelo BC. Nas redes sociais, multiplicam-se relatos e memes de endividamento, sobretudo entre jovens que ingressam na vida adulta financeira.

O Pix no crédito é uma transação via Pix debitada do limite do cartão, não do saldo da conta. Se o cliente tem R$ 100 de limite disponível, pode transferir até R$ 100 via Pix no crédito — à vista (com encargo) ou parcelado na fatura.

Para o economista Edivan Junior Pommerening, o Pix no crédito é um “empréstimo disfarçado”: O cliente usa o limite e paga juros geralmente mais altos do que em outras linhas. A sensação de dinheiro fácil estimula gastos além da renda; a fatura chega maior e o consumidor recorre a novo crédito para cobrir o anterior — caminho para o superendividamento. Ele cita um caso de banco digital com 4,99% ao mês no Pix no crédito — acima do empréstimo pessoal comum (3% a 4% a.m.). Como o valor vai à fatura, a chance de cair no rotativo (ainda mais caro) aumenta se o pagamento integral não acontecer.

“Cair no rotativo” é pagar menos que o total da fatura até o vencimento. O saldo restante é financiado automaticamente com juros elevados, o que acelera a bola de neve da dívida.

O que muda com o Pix parcelado regulamentado pelo BC. O Pix parcelado será um novo produto financeiro: Vinculado à análise de crédito do cliente; Taxas definidas por cada banco, conforme risco do pagador; sem tarifa adicional e sem intermediação de operadoras de cartões; Regras claras e padronizadas, trazendo transparência ao consumidor.

Segundo o BC, o objetivo não é substituir meios de pagamento, mas ampliar opções com mais segurança e informação. Para Pommerening, bancos devem orientar os clientes sobre riscos e boas práticas; escolas e governo precisam reforçar a educação financeira e digital. O Pix facilita a vida, mas a rapidez pode enganar: planejamento e acompanhamento dos gastos continuam essenciais.

Antes de usar, avalie: Necessidade real da compra e sua capacidade de pagamento; Custo total (CET) do parcelamento e comparação com outras linhas de crédito; Impacto no limite do cartão e risco de rotativo; Prazo e valor da parcela no orçamento mensal; Possibilidade de adiar a compra ou pagar à vista com desconto.