Quem é o delegado da PF e primeiro brasileiro a assumir cargo mais alto da Interpol
Geral
06/11/2024 - 12:29:00 | 3 minutos de leitura

O delegado da Polícia Federal Valdecy Urquiza, de 43 anos, foi confirmado como o novo secretário-geral da Interpol na terça-feira (5). Ele se torna o primeiro brasileiro a chegar ao cargo mais alto da maior organização policial do mundo. Seu nome foi aprovado por 96% dos representantes presentes. Dos 196 países-membros, 153 votaram na Assembleia Geral para escolher o novo representante. Destes, 145 aprovaram o nome de Urquiza. Apenas seis países votaram contra Urquiza e dois se abstiveram. A indicação do brasileiro aconteceu em junho, pelo comitê executivo da entidade. O nome de Urquiza foi chancelado pelos países-membros da organização na 92ª Assembleia Geral da Interpol, que está sendo realizada em Glasgow, no Reino Unido. Em todos os 101 anos de história da Interpol, a instituição teve oito secretários-gerais: um austríaco, quatro franceses, um britânico, um alemão e um norte-americano. Urquiza será o primeiro brasileiro e primeiro cidadão de um país em desenvolvimento a chefiar o órgão. Quem deixa o cargo é o alemão Jürgen Stock, que assumiu o posto em 2014. A gestão de Urquiza inicia neste fim de semana, ao término da Assembleia Geral. O mandato é de cinco anos, podendo ser renovado por mais cinco. Como a sede da instituição fica em Lyon, na França, Valdecy Urquiza e sua família irão se mudar para a Europa. Urquiza disse que sua gestão terá três pilares, durante seu discurso após a confirmação de seu nome: tecnologia, inclusão e integridade. Ainda durante sua fala, o brasileiro ressaltou que o crime internacional está mais sofisticado e que isso demanda que a Interpol se adapte. Natural de São Luís, no Maranhão, Urquiza é filho de um bacharel em direito. Graduou-se no mesmo curso em Fortaleza e ingressou na PF em 2004 por concurso. Em 2007, de volta a São Luís, iniciou as atividades na corporação à frente da delegacia de crimes ambientais. A vontade pela carreira dedicada à cooperação internacional surgiu quando Urquiza se deparou com crimes que envolviam a atuação de criminosos em vários países, como fraudes cibernéticas e lavagem de dinheiro. Em 2015, assumiu o escritório nacional da Interpol no Brasil, em Brasília. Três anos depois, transferiu-se para a sede da organização na França, onde atuou como diretor-adjunto para comunidades vulneráveis e diretor de combate ao crime organizado na Secretária-geral. Em 2021, retornou ao Brasil e voltou a trabalhar com cooperação internacional na PF e foi eleito vice-presidente das Américas do Comitê Executivo da Interpol.
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