Revisão: Comemoração precipitada. A conta não fecha

Em Foco

15/11/2025 - 13:48:00 | 3 minutos de leitura

Revisão: Comemoração precipitada. A conta não fecha

Governo não faz conta e comemora redução de Trump de 10% na tarifação. Porém, enquanto maioria dos países zerou a tarifação, Brasil continua com 40% do saldo de 50% aplicado por Donald Trump. A decisão recente do governo Donald Trump de reduzir para 10% a tarifa base sobre importações foi amplamente noticiada e, no Brasil, recebida com entusiasmo. Para parte da equipe econômica, a medida representa um “arrefecimento” da política de sobretaxas norte-americanas. Mas a comemoração foi apressada — e, sobretudo, incompleta. O anúncio que ganhou as manchetes não vale para todos da mesma forma. A maior parte dos países antes afetados pelo tarifaço teve suas sobretaxas totalmente zeradas e voltou a pagar apenas o piso de 10%. O Brasil, porém, não entrou no pacote de alívio. No auge da política de tarifas, produtos brasileiros foram alvo de um pacote que somava 50% de taxação:  10% de tarifa base aplicada globalmente; +40% de sobretaxa específica ao Brasil. Com a revisão anunciada neste mês, vários países perderam o peso adicional e retornaram ao piso de 10%. Para eles, trata-se de uma redução real e profunda — um salto de 50% para 10%. Mas o Brasil permanece com a parte mais dura da punição: a sobretaxa de 40% continua em vigor. Ou seja: Enquanto alguns países migraram de 50% para 10%, ➡ o Brasil caiu apenas de 50% para 40%. O efeito prático: Brasil isolado e menos competitivo O discurso oficial sugere que a medida americana trouxe “alívio”. Mas, ao observar os detalhes, percebe-se que o Brasil segue praticamente no mesmo patamar punitivo. A competitividade brasileira nos EUA permanece comprometida, especialmente em setores em que a concorrência com outros países é direta. Enquanto grande parte do mundo reassume uma tarifa padrão, o Brasil segue preso num sistema de exceção — e mais caro. Ao destacar apenas a redução global para 10%, o governo brasileiro acabou ocultando do público o ponto central: o alívio não chegou ao Brasil. A narrativa de vitória diplomática cria a impressão de que o país foi beneficiado, mas a realidade é que o Brasil continua com uma das tarifas mais altas impostas por Trump. Para exportadores e analistas, esse descompasso não é mero detalhe técnico — é um impacto direto no custo, na margem e no posicionamento internacional dos produtos brasileiros. A revisão tarifária nos EUA abre espaço para novas negociações. No entanto, sem movimentos firmes do governo brasileiro, a sobretaxa de 40% pode se prolongar por meses ou mesmo anos. Isso exige: Diplomacia comercial ativa; Pressão por isenções específicas; Estratégia clara para reconquistar competitividade. Ignorar o problema não fará a conta fechar. A decisão dos EUA produziu manchetes otimistas, mas pouco efeito prático para o Brasil. Enquanto o mundo comemora tarifas zeradas e retorno ao piso de 10%, o Brasil permanece preso a uma sobretaxa pesada e exclusiva. É uma comemoração que começa grande, mas desmorona ao olhar para os números.