Satélites descobrem "El Ojo": A misteriosa ilha flutuante que gira sozinha na Argentina

O enigma de El Ojo: Ilha perfeitamente circular intriga cientistas no Delta do Paraná

Geral

18/07/2026 - 04:00:00 | 2 minutos de leitura

Satélites descobrem

Nos confins pantanosos e de difícil acesso do delta do Rio Paraná, na Argentina, esconde-se um dos fenômenos naturais mais intrigantes da América do Sul: El Ojo (O Olho). Trata-se de uma ilha flutuante de terra e vegetação com quase 120 metros de diâmetro que flutua estavelmente sobre um lago de águas incrivelmente cristalinas — algo incomum para a região, que costuma apresentar águas turvas e repletas de sedimentos.


O Mistério do Movimento Perpétuo

O que realmente desperta o interesse de especialistas e entusiastas do mundo todo é a dinâmica da ilha. El Ojo não está estática; ela gira lentamente em torno do próprio eixo no sentido horário.

Esse movimento contínuo e rotativo funciona como uma espécie de "torno mecânico natural". À medida que a ilha gira, ela colide suavemente contra as bordas do canal exterior. Ao longo dos anos, esse atrito constante esculpiu tanto a ilha quanto as margens do lago, resultando em duas formas circulares praticamente perfeitas que se encaixam com precisão cirúrgica.


A Descoberta por Satélite e o Fator Humano

Embora o ecossistema exista há muito tempo, a estrutura foi registrada pela primeira vez em 2003, por meio de mapeamentos e observações de satélite na região pantanosa. No entanto, o fenômeno permaneceu no anonimato até 2016, quando o cineasta argentino Sergio Neuspiller a avistou durante um sobrevoo de helicóptero enquanto buscava locações para um filme sobre o sobrenatural.

A preservação intocada de El Ojo se deve principalmente a dois fatores geográficos:

  • Isolamento Geográfico: O delta do Rio Paraná é uma área de pântano denso, o que torna o acesso terrestre extremamente difícil e perigoso.

  • Baixa Presença Humana: Sem a interferência do homem, o ciclo natural de rotação e fricção pôde continuar sem interrupções por décadas (ou talvez séculos).

O que diz a Ciência?

Embora o local alimente teorias sobrenaturais e ufológicas na internet, cientistas apontam que formações de ilhas flutuantes rotativas — chamadas às vezes de "discos de gelo" em climas frios ou "ilhas de turfa" em áreas tropicais — são fenômenos geológicos e hidrodinâmicos raros, mas reais.

 O movimento costuma ser impulsionado por correntes de água subterrâneas, ventos locais e a própria liberação de gases da matéria orgânica em decomposição no fundo do pântano.

Ainda assim, o tamanho monumental de El Ojo e a cristalinidade de sua lagoa continuam sendo um prato cheio para pesquisas futuras.


Foto: Divulgação/Governo da Argentina/Wikimedia Commos