Se Irã e Israel detonarem bombas nucleares, Brasil seria atingido?
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16/06/2025 - 17:30:00 | 3 minutos de leitura

O conflito militar direto entre Israel e Irã, iniciado na última quinta-feira (12) com trocas de bombardeios intensos entre os países, elevou o medo do início de uma guerra nuclear. Depois de diversas ameaças, Israel lançou o que chamou de “ataque preventivo” contra o Irã, na quinta. O foco da operação foram instalações nucleares do país, assim como locais onde estavam líderes militares e cientistas nucleares. Ao longo da semana, a retórica militar entre os dois países aumentou. Há alguns dias, o governo iraniano afirmou que atacaria Israel caso seu programa nuclear fosse atingido. O principal objetivo da ação, segundo o governo israelense, é impedir que o Irã consiga construir uma arma nuclear. Como resposta à operação israelense, o Irã lançou um exército de drones contra o território de Israel. Armas nucleares geram destruição localizada, mas os efeitos não se limitam ao raio da explosão. Ondas de choque, radiação e precipitação radioativa atingem áreas extensas. Imagina-se que as bombas israelenses sejam do tipo W-76, o tipo de ogiva termonuclear mais comum no arsenal dos Estados Unidos (que doou parte de seu poder bélico a Israel). Essas bombas têm um impacto de 100 quilotons, sete vezes mais poder do que o explosivo lançado em Hiroshima, no Japão, em 1945. Além da nuvem de fogo, as bombas têm efeito de radiação por um raio de mais de 260 quilômetros do ponto central de impacto. Apesar dos efeitos devastadores, o Brasil, graças à distância, sairia ileso do impacto radioativo das bombas — porém, mesmo que elas não atinjam diretamente a América do Sul, os reflexos podem ser globais. Especialistas em segurança alertam para os riscos indiretos do conflito. Interrupções no comércio, instabilidade financeira e colapsos ambientais estariam entre os principais danos para países fora da zona de impacto imediato. As bombas nucleares funcionam por fissão nuclear, quando uma explosão consegue dividir átomos de elementos pesados, como urânio ou plutônio. A reação libera calor e radiação em grande escala. Esse tipo de explosivo é usado desde os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. Simulações do projeto Nukemap, criado pelo historiador nuclear Alex Wellerstein, do Stevens Institute of Technology, nos Estados Unidos, mostram que a explosão de uma W-76 em Teerã, capital do Irã, ou em Tel-Aviv, de Israel, criaria uma bola de fogo que vaporizaria tudo em um raio de 423 metros. Em um raio de até 9 km de distância, prédios teriam suas estruturas abaladas e pessoas sofreriam ferimentos com os estilhaços. Queimaduras de terceiro grau se espalhariam em um raio de até 4 km, mais do que toda a Avenida Paulista, em São Paulo. Uma onda de radiação intensa atingiria até 1 km do epicentro da explosão com força letal. Geograficamente, o Brasil não estaria na área de explosão ou radiação de um eventual ataque entre Irã e Israel. A distância entre os países supera os 10 mil quilômetros. Nenhuma arma nuclear atual cobre essa extensão com efeitos físicos diretos.
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