Sul registra maior número de apostadores compulsivos e país chega a 10,9 milhões
Em Foco
13/06/2025 - 17:56:00 | 2 minutos de leitura

O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), desenvolvido pela Unifesp, aponta que 10,9 milhões de brasileiros — 6,8% da população com mais de 14 anos — fazem uso de jogos de aposta online de forma perigosa. Destes, cerca de 1,4 milhão já apresentam transtorno do jogo, com prejuízos pessoais, sociais ou financeiros. Em ofício ao STF, o Ministério da Saúde defendeu que o tratamento do vício em jogos de aposta seja equiparado ao oferecido a dependentes de álcool e drogas. A iniciativa integra debate judicial sobre a legalidade das “bets” no país, incluindo políticas de prevenção e suporte à saúde mental. Especialistas lembram que o cérebro responde a jogos de aposta com o mesmo circuito de recompensa ativado por drogas — por meio da dopamina. A psicóloga Ana Matos compara o vício em apostas ao uso de substâncias químicas, pois ambos envolvem ciclos repetitivos e expectativa de ganho. As apostas online operam 24 horas por dia com interface que estimula o usuário com luzes, sons e recompensas rápidas. Segundo Ana Matos, esse design neurocientífico cria um ambiente propício à compulsão. Estima-se que 66,8% dos usuários dessas plataformas utilizem-nas de maneira arriscada. Ao contrário de outras dependências, o vício em apostas online não deixa sinais físicos evidentes, mas acarreta prejuízos como insônia, ansiedade, queda de produtividade e isolamento social. RHs relatam que 53% dos colaboradores enfrentam dificuldades financeiras devido às apostas, e 54% utilizam o horário de almoço para jogar. Adolescentes (14–17 anos) têm perfil ainda mais vulnerável: 10,5% apostaram no último ano e 55,2% estão em situação de risco. O Sul do Brasil lidera o ranking de apostas, seguido por Centro-Oeste e Sudeste. O governo federal criou um grupo interministerial para enfrentamento da dependência em apostas e bloqueou mais de 2.000 sites irregulares, enquanto aguarda regulamentação das plataformas legalizadas. O STF já recebeu estudos relacionados à saúde mental, economia e impactos sociais para debater a constitucionalidade da lei das apostas. Estudos internacionais analisam o uso de antidepressivos, antipsicóticos e antagonistas opioides para tratar o transtorno do jogo, embora a evidência ainda seja limitada. O Brasil também enfrenta desafios na oferta de serviços especializados para esse tipo de compulsão. Acompanhe mais sobre economia em Visor Notícias.
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