SUVs e caminhonetes agravam trânsito, acidentes e poluição, dizem estudos
Em Foco
10/05/2025 - 14:06:00 | 3 minutos de leitura

O crescimento explosivo de SUVs e caminhonetes nas últimas décadas está transformando a mobilidade urbana — e não para melhor, como mostram estudos recentes. Os trabalhos mostram que esses veículos, agora mais populares do que nunca, estão diretamente ligados ao aumento do congestionamento, da poluição e da gravidade dos acidentes nas cidades. Entre 1991 e 2025, por exemplo, a picape Ford F-150 ficou 75 cm mais longa, 20 cm mais alta e 483 kg mais pesada. Essa tendência de “superdimensionamento” se repete globalmente: SUVs representaram 48% das vendas de carros novos em 2023, contra apenas 15% em 2010. Nos EUA, 8 dos 10 carros mais vendidos em 2025 são SUVs ou caminhonetes. Na Nova Zelândia, esse número sobe para 9 em 10. Apesar da popularidade, os impactos negativos são evidentes. O transporte rodoviário responde por 15% das emissões globais de CO₂, com os SUVs desempenhando papel de destaque. Se fossem um país, sua frota global seria a quinta maior emissora do mundo, superando até o Japão. Mesmo as versões elétricas não escapam das críticas: seu peso elevado acelera o desgaste dos pneus, liberando micropartículas prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana. Estudos recentes aprofundam ainda mais a discussão. Um deles, conduzido pelos pesquisadores David Levinson (Universidade de Sydney) e Yang Gao (Universidade da Cidade de Hong Kong), analisou 25 anos de dados de tráfego em Minneapolis-St. Paul. Como conclusão, eles perceberam que o crescimento dos SUVs reduziu a capacidade das vias, piorando o congestionamento. De 1995 a 2019, o fluxo médio caiu de 1.850 para 1.600 veículos por faixa por hora, enquanto a participação dos SUVs saltou de 3,6% para 30,8%. Outro estudo, liderado por pesquisadores do Imperial College London e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, revisou dados de mais de 682 mil vítimas de acidentes. O resultado é alarmante: pedestres e ciclistas têm 44% mais chance de morrer se atingidos por um SUV, e para crianças, esse risco salta para 82%. Com base nesses impactos, cidades como Paris, Edimburgo e Estocolmo já adotam medidas restritivas, como aumento de taxas de estacionamento e proibição de publicidade para veículos de alto impacto ambiental. A tendência global parece caminhar para o desestímulo ao uso de SUVs em áreas urbanas — seja por razões ambientais, de mobilidade ou de segurança pública.
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