Tarcísio emerge como líder da luta pela anistia enquanto STF sofre pressão das ruas e EUA

Geral

09/09/2025 - 12:18:00 | 4 minutos de leitura

Tarcísio emerge como líder da luta pela anistia enquanto STF sofre pressão das ruas e EUA

Diante de dezenas de milhares de manifestantes que lotaram boa parte da Avenida Paulista neste Sete de Setembro, em ato pela anistia dos réus do 8 de janeiro e pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez o firme discurso contra “os abusos da ditadura de toga”. “O que disse traduz o sentimento da população”, justificou Tarcísio. Sua fala consolidou um novo e incisivo posicionamento sobre a anistia, maior pauta da direita, que tem ganhado apoio do centro até antes do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Primeira Turma do STF, iniciado na semana passada. O veredicto pela suposta trama golpista para o ex-mandatário é esperado para sexta-feira (12). Alguns analistas procuraram explorar prejuízos a Tarcísio por ter subido o tom contra o STF, com eventual perda de interlocução com magistrados da Corte. Mas a maioria entende que a sua cobrança pela votação da anistia e a sua crítica contra Moraes refletem uma tomada de decisão política diante da crise que mobiliza Congresso, ruas e até o governo dos Estados Unidos. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliados e até ministros do STF reagiram de imediato. “Não há ditadura da toga, tampouco ministros tiranos”, protestou o ministro Gilmar Mendes, do STF. A questão também foi comentada pelo presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso. O magistrado afirmou que, ao contrário da ditadura marcada pela falta de transparência, os julgamentos atuais ocorrem de forma pública e "refletem a realidade", ainda que a imagem desagrade a alguns. Já o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que Tarcísio fez um "ataque frontal ao STF, que pode configurar coação no curso do processo". Além deles, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito: “caiu a máscara” do governador. O governador contestou as provas contra Bolsonaro, chamou de “mentirosa” a delação de Mauro Cid sobre o 8 de janeiro e defendeu anistia irrestrita. Ele cobrou do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação imediata da pauta e disse que Bolsonaro “é o único candidato de 2026”. Encerrou avisando: “Não vamos aceitar a ditadura de um poder sobre o outro, nem que um ditador paute o que devemos fazer”. Mais cedo, em Brasília, chamou atenção a ausência de ministros do STF no palanque do desfile militar e na cerimônia oficial do 7 de setembro, ao lado do presidente da República, apesar de convidados. O gesto, considerado raro, foi lido como sinal de independência do Judiciário ou escolha calculada para evitar novas tensões institucionais. A solenidade, que teve como mote a defesa da soberania, contou com ministros de Estado, autoridades militares e representantes do Legislativo, como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estava ausente. Tradicionalmente, ministros do STF marcam presença, como no ano passado, quando Moraes, Barroso e Edson Fachin participaram, o que reforça o caráter excepcional da ausência coletiva neste ano. O professor de Ciência Política Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, avalia que Tarcísio se firmou como candidato natural da aliança entre direita e centro-direita em 2026, sem pressa para oficializar. No ato da Paulista, sob a emoção de discursos de Michelle Bolsonaro e Silas Malafaia, deu nova prova de lealdade com crítica ao STF e proximidade ao eleitor fiel de Bolsonaro. Segundo Cerqueira, a postura de Tarcísio ainda expôs o enfraquecimento do governo e da Suprema Corte, enquanto a anistia ganha força no Congresso e o acordo entre PL e Centrão se consolida. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, avisou que quem aposta no racha no campo conservador “pode tirar o cavalo da chuva”. “Vamos tirar a esquerda do poder”, promete.