TikTok é processado por ‘promoção ao suicídio’ de adolescentes por 7 famílias na França
Em Foco
05/11/2024 - 12:39:00 | 3 minutos de leitura

Um grupo de sete famílias francesas anunciou, nesta segunda-feira (4), que vai processar a rede social chinesa TikTok no tribunal em Créteil, região metropolitana de Paris, na França. Os pais de sete adolescentes criaram o coletivo Algos Victima através do qual acusam o algoritmo da rede social de expor seus filhos a conteúdos que os colocam em risco de vida. Trata-se do primeiro caso do tipo na Europa. A advogada representante do coletivo Algos Victima, Laure Boutron-Marmion, informou estar levando uma das redes sociais mais poderosas do mundo ao tribunal. As sete famílias francesas acusam o TikTok de expor crianças a inúmeros vídeos que promovem suicídio, automutilação e distúrbios alimentares. Com a ação civil, as famílias pretendem que o tribunal de Créteil reconheça que o TikTok cometeu uma falha ao permitir a circulação desse tipo de conteúdo em sua plataforma. O objetivo é obter o reconhecimento da responsabilidade da rede social na deterioração da saúde física e mental dessas crianças. Duas delas tiraram as próprias vidas quando tinham 15 anos. Quatro das sete adolescentes tentaram tirar a própria vida, e uma sofria de anorexia. Os pais de uma delas, Marie, registraram uma queixa criminal no ano passado. As famílias também querem que a rede social regule os vídeos de forma mais eficaz, para que os menores não sejam mais bombardeados, quando estiverem em uma situação ruim, com conteúdo que possa incentivar o suicídio. O estatuto da plataforma, usada por mais de 21 milhões de usuários na França (e mais de 1,2 bilhão em todo o mundo), afirma que a rede está comprometida em “proporcionar um ambiente seguro e atencioso”. No entanto, todas as famílias explicam a mesma coisa: depois de assistir a conteúdo relacionado a autoimagem ou dieta, seus filhos rapidamente se depararam com muito conteúdo violento, alguns promovendo automutilação, suicídio ou distúrbios alimentares. Delphine, a mãe de Charlize, explicou à reportagem da FraceInfo, portal de notícias da França, que sua filha, vítima de assédio, procurou refúgio no TikTok. A jovem ficou viciada e buscou conteúdo relacionado a seus problemas, o que a levou a uma 'espiral descendente'. “O algoritmo percebeu o estilo de pesquisa da minha filha e sugeriu outros conteúdos, cada vez piores, sobre depressão e escoriações. O TikTok amplificou seu desconforto, inundando-a com conteúdo que os adolescentes de sua idade nunca deveriam ver”, acusa a mãe da adolescente.
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